Governo vai limitar crédito rotativo a 30 dias para reduzir juros no cartão
Publicado em 23/12/2016 , por LAÍS ALEGRETTI e DÉBORA ÁLVARES
Para garantir a redução dos juros no rotativo do cartão de crédito, o Ministério da Fazenda esclareceu que haverá uma resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional) que reduzirá o crédito rotativo a 30 dias. Depois disso, o valor restante passará a ser um crédito parcelado, com juros menores.
"Vamos tomar a medida de limitação do prazo de uso de crédito rotativo por 30 dias e, a partir daí, o saldo pode ser parcelado em até 24 meses, com taxa ainda menor. [...] É uma decisão do Conselho Monetário Nacional", explicou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
Ele afirmou, ainda, que os bancos "se comprometem a baixar a taxa de juros pela metade do crédito rotativo".
Conhecida por ser uma modalidade de crédito muito cara, os juros do rotativo do cartão de crédito ficaram em 475,8% ao ano em outubro —dado mais recente do Banco Central. O cheque especial, no mesmo período, bateu novo recorde e chegou a 328,9% ao ano.
Também em outubro, as operações de crédito pessoal para pessoas físicas (sem contar o consignado) tiveram taxa média de juros de 136,6% ao ano.
Meirelles afirmou que levará cerca de 90 dias para as medidas serem implementadas e disse que já devem estar "totalmente em vigor" no fim do primeiro trimestre.
"É prazo viável, sim, na medida em que hoje as condições da economia brasileira são já bastante diferentes. O ajuste fiscal já está em andamento. A situação do Brasil já e será outra a partir do final do primeiro trimestre", disse. "Há interesse de todos de que a taxa de juros do crédito rotativo do cartão estará pela metade do que é hoje."
A avaliação é que as altas taxas de juros do rotativo trazem mais perdas do que ganhos para as empresas. Além de despesas e prejuízos com a inadimplência, o produto prejudica a imagem dos bancos e o relacionamento com o cliente.
O anúncio da redução dos juros no cartão faz parte de um pacote de fim de ano divulgado nesta quinta-feira (22) pelo presidente Michel Temer. Ele também anunciou o saque de contas inativas do FGTS e a prorrogação do programa de proteção ao emprego.
Fonte: Folha Online - 22/12/2016
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