PF liga expansão da fraude no INSS ao período da pandemia
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PF liga expansão da fraude no INSS ao período da pandemia

Publicado em 16/07/2026 , por Metropoles

Segundo a investigação, entre 2019 e 2025 a entidade recebeu R$ 708 milhões provenientes dos descontos em aposentadorias

Enquanto a pandemia de Covid-19 reduzia atividades presenciais em todo o país, a arrecadação da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) com descontos associativos sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrava crescimento acelerado. O dado consta no relatório final da Polícia Federal (PF) sobre a Operação Sem Desconto, obtido pela coluna.

Segundo a investigação, entre 2019 e 2025 a entidade recebeu R$ 708 milhões provenientes dos descontos realizados em aposentadorias e pensões.

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Os dados analisados pela PF mostram que, em agosto de 2019, a Conafer recebeu cerca de R$ 14 mil em repasses mensais do INSS. Nos anos seguintes, os valores cresceram continuamente até ultrapassarem R$ 24 milhões em um único mês, em 2024.

O relatório também destaca que parte da expansão ocorreu após a liberação de R$ 15,3 milhões que estavam retidos em razão de questionamentos sobre autorizações para descontos associativos.

De acordo com a investigação, a liberação ocorreu em julho de 2021, quando José Carlos Oliveira ocupava a Diretoria de Benefícios do INSS. Para a PF, o pagamento foi autorizado sem que a entidade apresentasse a documentação exigida pelo acordo de cooperação técnica firmado com o instituto.

Após esse episódio, a arrecadação da Conafer continuou crescendo.

Os dados levantados pela Polícia Federal mostram que a entidade recebeu:

  • 2020: R$ 77,5 milhões
  • 2022: R$ 202,3 milhões
  • 2024: R$ 297,9 milhões

Outro dado destacado pela investigação é o aumento dos bloqueios judiciais determinados sobre valores da Conafer ao longo da apuração. Segundo o relatório, os montantes bloqueados passaram de R$ 380 mil, em 2021, para R$ 2,28 milhões, em 2022, e chegaram a R$ 4,12 milhões, em 2024.

Para a Polícia Federal, o crescimento das medidas judiciais acompanhou o aumento das reclamações registradas por aposentados nos canais oficiais do INSS, além de ações judiciais e manifestações em plataformas de atendimento ao consumidor.

As investigações também identificaram mensagens e planilhas utilizadas por integrantes da entidade contendo informações sobre representantes municipais, autoridades locais e contatos políticos. Segundo a PF, o material demonstra uma estrutura organizada para ampliar a atuação da Conafer em diversos municípios brasileiros.

O relatório final integra a investigação da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos associativos considerados irregulares em benefícios previdenciários e resultou no indiciamento de dezenas de investigados por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

Fonte: Metropoles - 16/07/2026

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