Deflação de alimentos acentua, e SP tem a maior queda de preços no ano
Publicado em 28/07/2026 , por Folha Online
Pela terceira quadrissemana seguida, a taxa de inflação dos alimentos teve recuo em São Paulo. Os dados mais recentes da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), divulgados nesta segunda-feira (27), indicam deflação de 0,63% para o setor nos últimos 30 dias terminados em 23 de julho, em relação a igual período imediatamente anterior. É a maior queda de preços desde setembro do ano passado.
Há uma conjunção de fatores que levam a essa queda. Das dez principais retrações registradas pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) no período, sete foram de produtos ligados à agropecuária. Essas quedas se concentram em produtos básicos ao dia a dia do consumidor, como tomate, batata, frango, arroz e café.
A inflação dos alimentos, que acumulou 4% nos seis primeiros meses do ano, deverá terminar o período de janeiro a julho em 3%, uma taxa próxima à do índice geral do período. Apesar dessa tendência de queda, alguns itens, como batata e leite, mantêm sequência de alta.
A inflação vem recuando porque vários produtos, após alta acelerada, estão retornando a patamares normais. O café é um deles. Neste mês, o produto vem com queda de 5,6%. Notícias de safra recorde no Brasil, principal fornecedor mundial, acalmaram o mercado no primeiro semestre.
O mesmo ocorre com o óleo de soja e com o arroz. O cereal, após aceleração no início de 2025, quando a saca superou R$ 100 no campo, iniciou um período de forte queda, recuando para até R$ 53 no início deste ano. Neste mês, com aumento das exportações e proximidade do período de entressafra, a saca já atinge R$ 67 no campo.
Outro fator de queda da inflação são as carnes. A bovina, após um primeiro semestre com forte demanda externa, começa a registrar preços menores. A queda de preços nos supermercados foi de 1% nos últimos 30 dias, segundo a Fipe. A de frango ficou 1,4% mais barata, e a suína, após uma desaceleração de 8% no ano no acumulado até junho, parou de cair em julho.
Os alimentos têm cooperado com a taxa de inflação neste primeiro semestre, mas o segundo vem com muitas dúvidas. Uma delas é a extensão do El Niño. Virá com certeza, mas o quanto vai afetar a agricultura ainda não é certo.
No setor de cereais, o arroz, independentemente do El Niño, deverá ganhar novos preços. O mesmo pode ocorrer com o trigo, devido a quebras de produção em países exportadores, como os Estados Unidos, e a pouca área que será destinada no Brasil ao cereal. A Fipe já começa a registrar a pressão dos preços do trigo no bolso do consumidor. Nesta quadrissemana, o pãozinho subiu 1%.
O feijão, que subiu 47% para o consumidor no primeiro semestre, inicia um período de quedas nos supermercados. A oferta da leguminosa melhorou no cerrado, e a saca do tipo carioquinha já é negociada a R$ 284 no Distrito Federal, bem abaixo dos R$ 500 de há alguns meses.
As carnes também não devem ter muito espaço para altas no varejo. A produção de carne suína, apesar das exportações recordes, é boa. Já as vendas das de frango e bovina têm empecilhos para vencer no exterior. A cota de exportação de carne bovina para a China, sem a taxa de 55%, esgotou, e as vendas para a União Europeia devem sofrer bloqueio a partir de setembro. Assim como ocorre com a bovina, os europeus prometem barreiras também para a de frango.
Fonte: Folha Online - 27/07/2026
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