Vírus frauda QR Code, Pix Copia e Cola e cartão em ecommerces brasileiros sem deixar vestígio
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Vírus frauda QR Code, Pix Copia e Cola e cartão em ecommerces brasileiros sem deixar vestígio

Publicado em 08/09/2026 , por Folha Online

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Uma nova modalidade de fraude altera de forma imperceptível o QR code do Pix nas páginas de pagamento de lojas virtuais, segundo alerta da empresa de segurança Kaspersky antecipado pela Folha.

O vírus, descoberto em 1º de setembro pelo pesquisador de segurança independente chamado de "eremit4", substitui o código Pix original gerado pela loja online por um fraudulento no momento de pagamento, desviando o dinheiro da vítima diretamente para a conta de golpistas.

"É o novo magecart brasileiro", escreveu o pesquisador em referência a uma modalidade tradicional de fraudes para roubar dados de cartão de crédito.

"Os criminosos evoluíram de leitura de cartão para sequestro de Pix em tempo real, trocando QR codes durante a conclusão da compra para redirecionar os pagamentos", afirmou o pesquisador independente em uma publicação no X (ex-Twitter).

A Kaspersky verificou o trabalho de eremit4 e detectou 90 sites de ecommerce de pequeno e médio porte infectados no Brasil que usam uma plataforma gratuita chamada Magento.

"Como o criminoso infecta o site e não o computador da vítima, o potencial de estrago é muito maior e atinge todos os clientes", diz Fabio Assolini, diretor do time de investigação da empresa de cibersegurança na América Latina. "A troca do QR code não deixa nenhum indício visual", diz o especialista. O código do Pix Copia e Cola também é alterado a fim de prejudicar quem acessa o ecommerce pelo celular.

Para se proteger, o comprador deve checar o destinatário do Pix antes de confirmar a transação. "O problema é que em sites menores, o pagamento nem sempre vai para o nome fantasia daquela loja, o registro pode estar no nome do dono", alerta Assolini.

De acordo com ele, alguns comerciantes afetados pelo vírus já perceberam os prejuízos ao verificar um número maior na desistência de compras e passaram a informar o CNPJ e o nome da empresa para checagem do cliente. Outros passaram a direcionar as pessoas para plataformas de pagamento terceiras.

Em casos de fraudes, o Banco Central recomenda o uso do mecanismo especial de devolução (MED) do Pix, que consegue rastrear a transação por até cinco transferências. No entanto, quanto mais os clientes demoram a perceber a fraude, mais tempo os estelionatários têm para distribuir a quantia extraviada entre diferentes contas e dificultar o retorno.

Embora o correntista tenha um prazo de 80 dias para fazer a solicitação, os estelionatários distribuem o dinheiro em dezenas de contas laranja em poucas horas.

"Os criminosos sabem que o limite de transferências rastreáveis é de cinco passagens. O MED é válido quando a pessoa percebe rapidamente", diz Assolini.

Segundo o diretor da Kaspersky, os criminosos costumam ter mais de 50 contas de "testas de ferro" em operações como essa. "Perder duas ou três durante o crime está nos planos."

Informes do Banco Central recomendam fazer a solicitação de MED de qualquer forma para ajudar as instituições financeiras a identificar as contas laranja.

Usar antivírus também pode prevenir a fraude.

"Como a troca do QR code é acionada por um código estranho, muitas vezes escrito em linhas ofuscadas, é uma atividade muito suspeita", afirma o diretor da Kaspersky.

Do lado do lojista, verificar essas duas linhas ofuscadas é um desafio na hora de identificar o comportamento estranho do site.

A empresa de cibersegurança recomenda que os comerciantes mantenham versões atualizadas do Magento, adotem senhas de acesso únicas e complexas para a central de administração do site e façam monitoramento recorrente com software de qualidade para identificar comportamentos anômalos.

Assolini alerta ainda que o mesmo vírus magecart, que desvia o Pix, é capaz de copiar os dados do cartão de crédito, com objetivo de clonagem, quando o cliente escolhe a outra opção de pagamento. Nesse caso, o lojista ainda recebe o dinheiro, e o cliente é fraudado no futuro.

A solução nesse caso é o uso de cartões virtuais, cujos dados valem apenas para uma transação.

Confirme o destinatário: Antes de concluir a transferência pelo aplicativo do banco, verifique se o nome do recebedor e o CNPJ correspondem à loja. Desconfie de pagamentos direcionados a pessoas físicas desconhecidas, embora lojas muito pequenas possam usar o nome do proprietário.

Use cartões virtuais: Para compras no cartão de crédito, gere um cartão virtual temporário no aplicativo do seu banco. Os dados expiram após o uso, impedindo a clonagem futura.

Aja rápido em caso de fraude: Se notar o desvio, acione imediatamente o seu banco para registrar a fraude e solicitar o MED (Mecanismo Especial de Devolução). Quanto mais rápido o aviso, maior a chance de bloqueio do valor antes da dispersão.

Fonte: Folha Online - 08/09/2026

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