Itaú demite funcionários após avaliar produtividade no home office
Publicado em 09/09/2025 , por André Catto
O Sindicato dos Bancários informou que cerca de mil trabalhadores foram dispensados sem advertência prévia.
O banco não confirmou o número de demissões, mas informou em nota que a decisão foi tomada após uma 'revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada'.
O Itaú demitiu nesta segunda-feira (8) cerca de mil funcionários que atuavam em regime híbrido ou remoto, informou o Sindicato dos Bancários. A medida foi tomada após a instituição financeira avaliar a produtividade dos colaboradores no home office.
Procurado pelo g1, o Itaú não confirmou o número de demissões, mas informou em nota que a decisão foi tomada após uma “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”.
A incompatibilidade estaria entre as atividades registradas nas plataformas e o registro de ponto dos trabalhadores — o que indicaria, na prática, que as horas efetivamente trabalhadas não foram corretamente registradas.
"Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco", disse a instituição.
Ainda de acordo com o Itaú, a medida faz parte de um "processo de gestão responsável" e tem o objetivo de "preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”
Dispensa sem aviso
Ao criticar a decisão, o sindicato do setor afirmou que os trabalhadores foram dispensados sem advertência prévia e sem diálogo com a entidade, "num claro desrespeito aos bancários e à relação com o movimento sindical".
“O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas, em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade", disse Maikon Azzi, diretor do sindicato e funcionário do Itaú, em nota.
"No entanto, consideramos esse critério extremamente questionável, já que não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga, ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes”, acrescentou.
Segundo o dirigente do sindicato, o banco não tentou conversar com os funcionários ou corrigir condutas. "Nem mesmo [deu] oportunidade para que os empregados pudessem se defender."
O sindicato declarou que, nos últimos 12 meses, o Itaú já tinha cortado 518 postos de trabalho, reduzindo o quadro para 85.775 funcionários. Informou ainda que procurou o banco para pedir esclarecimentos sobre as novas demissões e que cobrará a reposição das vagPara a presidente da entidade, Neiva Ribeiro, "com o lucro nas alturas, o banco não tem nenhuma justificativa para demitir".
"É inaceitável que uma instituição que registra lucros bilionários promova demissões em massa sob a justificativa de ‘produtividade’", declarou. Veja a íntegra da nota do Itaú
“O Itaú Unibanco realizou hoje desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada. Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”
Fonte: G1 - 08/09/2025
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