Desemprego fica em 5,4% no trimestre terminado em janeiro, diz IBGE
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Desemprego fica em 5,4% no trimestre terminado em janeiro, diz IBGE

Publicado em 05/03/2026 , por G1

Taxa se manteve no mesmo nível do trimestre anterior e caiu 1,1 ponto percentual em relação a um ano antes, segundo a Pnad Contínua; resultado veio em linha com as expectativas do mercado.

Desemprego fica em 5,4% no trimestre terminado em janeiro, diz IBGE

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a taxa representa o menor nível da série para trimestres encerrados em janeiro e indica estabilidade em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro.

A especialista explica que, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos resultados.

Ela também destacou que, na comparação anual, houve melhora mais clara no indicador. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou.

Veja os destaques da pesquisa:

  • Taxa de desocupação:5,4%
  • Taxa de subutilização:13,8%
  • População desocupada:5,9 milhões
  • População ocupada:102,7 milhões
  • População fora da força de trabalho:66,3 milhões
  • População desalentada:2,7 milhões
  • Empregados com carteira assinada:39,4 milhões
  • Empregados sem carteira assinada:13,4 milhões
  • Trabalhadores por conta própria:26,2 milhões
  • Trabalhadores informais:38,5 milhões

A população desocupada somava 5,9 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, número que ficou estável em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2025.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, houve queda de 17,1% — o equivalente a 1,2 milhão de pessoas a menos sem trabalho.

Já a população ocupada chegou a 102,7 milhões. O total ficou praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,7% em relação a um ano antes, com a entrada de mais 1,7 milhão de pessoas no mercado de trabalho.

Com isso, o nível de ocupação — que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,7%, estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do registrado um ano antes.

A população subocupada por insuficiência de horas — pessoas que trabalham menos do que gostariam — somava 4,5 milhões no trimestre encerrado em janeiro e permaneceu estável tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período do ano passado.

Já a população fora da força de trabalho chegou a 66,3 milhões de pessoas. O contingente ficou estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,3% na comparação anual, o que representa mais 846 mil pessoas.

Entre os que desistiram de procurar emprego, a chamada população desalentada somava 2,7 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas caiu 15,2% em relação a um ano antes, o equivalente a 476 mil pessoas a menos nessa condição.

  • Desalentados são pessoas que estão fora da força de trabalho no momento da pesquisa, mas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para assumir uma vaga. Mesmo assim, elas não procuraram emprego naquele período — geralmente por acharem que não conseguiriam uma oportunidade.

Com isso, a taxa de desalento ficou em 2,4%, estável no trimestre e 0,4 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Formalidade x informalidade

No mercado de trabalho formal e informal, os principais tipos de vínculo apresentaram os seguintes resultados no trimestre:

  • Empregados no setor privado com carteira assinada (exceto domésticos):39,4 milhões. O total ficou estável no trimestre e cresceu 2,1% em relação a um ano antes, com cerca de 800 mil vagas a mais.
  • Empregados sem carteira no setor privado:13,4 milhões, com estabilidade tanto no trimestre quanto na comparação anual.
  • ‍Trabalhadores por conta própria:26,2 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas aumentou 3,7% em um ano — alta de 927 mil pessoas.
  • Trabalhadores domésticos:5,5 milhões. O contingente ficou estável no trimestre, mas caiu 4,5% na comparação anual, com redução de 257 mil pessoas.

A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais.

No trimestre encerrado em outubro, esse percentual era de 37,8% (38,8 milhões), enquanto no mesmo período do ano anterior chegava a 38,4% (também cerca de 38,8 milhões).

Já o rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.652, com alta de 2,8% no trimestre e de 5,4% na comparação anual.

A massa de rendimento real habitual — que representa a soma de todos os salários pagos no país — chegou a R$ 370,3 bilhões, crescimento de 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e de 7,3% em um ano (mais R$ 25,1 bilhões).

Força de trabalho fica estável e emprego cresce em alguns setores

A força de trabalho no país — que reúne pessoas ocupadas e aquelas que estão procurando emprego — somou 108,5 milhões no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026.

O total ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro, mas aumentou 0,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa mais 472 mil pessoas.

Ao analisar a ocupação por setores da economia, a pesquisa mostra que, na comparação com o trimestre anterior, os principais movimentos foram:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas:alta de 2,8% (mais 365 mil pessoas)
  • Outros serviços:crescimento de 3,5% (mais 185 mil trabalhadores)
  • Indústria geral:queda de 2,3% (menos 305 mil pessoas)

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o levantamento mostra:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas:alta de 4,4% (mais 561 mil pessoas)
  • ️Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais:crescimento de 6,2% (mais 1,1 milhão de pessoas)
  • Serviços domésticos:queda de 4,2% (menos 243 mil trabalhadores)

Mercado de trabalho resiliente, mas com atenção à inflação

Para analistas, os dados da Pnad de janeiro reforçam que o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e avanço da renda.

Ao mesmo tempo, o cenário ainda pede cautela na condução da política monetária, já que a combinação de emprego forte e salários em alta pode pressionar a inflação.

O economista Maykon Douglas avalia que o resultado foi positivo principalmente porque a taxa de desemprego mínima veio acompanhada de mais pessoas trabalhando e de crescimento da renda.

Na avaliação dele, diferentemente de alguns momentos do fim do ano passado, a leitura desta divulgação não trouxe sinais contraditórios.

Na avaliação do economista, trata-se de “uma leitura mensal sólida”, que confirma o dinamismo do mercado de trabalho no país. Ele acrescenta que esse cenário tende a reforçar uma postura mais cautelosa do Banco Central, já que o aumento do emprego e dos salários pode pressionar a inflação mais ligada ao consumo.

Douglas também projeta uma leve alta da taxa de desemprego nos próximos meses — movimento que considera comum no início de cada ano.

“A taxa de desemprego deve subir 0,1 ou 0,2 ponto percentual nos próximos meses”, diz.

Ainda assim, a expectativa dele é que o indicador feche 2026 com média anual de 5,2%, abaixo do nível observado em 2025.

Avaliação semelhante é feita por Rafael Perez, economista da Suno Research, que vê o resultado como um sinal de resiliência do mercado de trabalho.

Segundo ele, a taxa de 5,4% ficou em linha com as projeções e reflete, em parte, o comportamento típico do início do ano, quando o fim das vagas temporárias criadas no período de festas costuma elevar o desemprego.

Mesmo assim, Perez ressalta que diversos indicadores continuam em níveis recordes, como o número de pessoas ocupadas, o total de empregos formais e a massa de rendimentos.

De acordo com o economista, esse ambiente tende a impulsionar a renda e o consumo das famílias, mas também pode tornar mais difícil a convergência da inflação. Por isso, ele avalia que o Banco Central deve manter um ritmo cauteloso e gradual no processo de cortes de juros ao longo do ano.

Fonte: G1

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