Bloqueio de Ormuz pode impactar inflação até 2027, diz especialista
Publicado em 17/03/2026 , por CNN Brasil
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À CNN, Beny Fard, especialista em investimentos, afirma que o estrangulamento do escoamento de petróleo já causa impactos diretos na economia global e pressiona preços
O fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o escoamento de petróleo mundial, já está causando impactos significativos na economia global e pode gerar efeitos inflacionários que se estenderão até 2027, segundo avaliação de Beny Fard, sócio da B8 Partners.
Em entrevista ao CNN Prime Time, Fard explicou que o estrangulamento do escoamento não apenas do petróleo, mas de outros insumos essenciais através do Estreito de Ormuz, está provocando pressões inflacionárias em diversos países. "Há, inclusive, indícios de que esse efeito inflacionário da falta do petróleo em alguns casos de escassez e também da majoração do preço possa se alastrar em 2026 e 2027 adentro", alertou o especialista.
Impacto global e dependência energética
Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, aproximadamente 20 milhões de barris por dia dos 100 milhões produzidos globalmente, passa pelo Estreito de Ormuz. A situação é agravada pelo fato de que 85% das matrizes energéticas dos países do mundo não são renováveis, o que aumenta a dependência de combustíveis fósseis, conforme apontou Fard.
"A gente percebe que esses 20% de todo o petróleo consumido no mundo estão faltando e, num acumulado, a gente tem não só o impacto de escassez em algumas nações, mas também o impacto de preço. E aí a gente tem uma combinação que é bastante danosa, a curto, médio e longo prazo", afirmou Fard.
China e Índia: aliados estratégicos do Irã
O especialista revelou que o Irã tem buscado manter seu fornecimento, ainda que em volume reduzido, para países estrategicamente importantes como China e Índia. "O Irã tem buscado continuar o seu fornecimento, ainda que em um menor volume, especialmente para a China e outros países ali da circunvizinhança, em Índia especialmente", explicou.
A China consome aproximadamente 14 milhões de barris de petróleo por dia, produzindo apenas 4 milhões e importando os 10 milhões restantes. Desse total importado, entre 1 milhão e 1,5 milhão de barris diários vinham do Irã. Além disso, cerca de metade do petróleo importado pela China passa pelo Estreito de Ormuz, o que coloca o país asiático em situação vulnerável com o bloqueio atual.
Pressão nos preços e cenário internacional
O barril de petróleo Brent já atingiu a marca de US$ 100, enquanto o WTI está cotado a US$ 94, representando um aumento de quase 100% em relação ao ano anterior, quando o preço se mantinha estável na casa dos US$ 60. Fard alertou que projeções indicam que o preço pode chegar a US$ 150 se o conflito se estender por mais um ou dois meses.
O especialista também destacou o jogo geopolítico envolvendo o presidente Donald Trump, que utiliza a retórica para pressionar aliados da Otan e a China a intervirem na situação. "O objetivo de Trump é trazer luz sobre alguns elementos que ele tem tentado trazer nesse seu segundo mandato, de que o multilateralismo, a globalização, as relações pacíficas e previsíveis que existiam entre blocos desde a década de 90 deixaram de existir", analisou Fard, acrescentando que o americano "corre um risco político tremendo com esse movimento que ele faz" em ano eleitoral.
Fonte: CNN Brasil - 17/03/2026
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