CGU abre processo que pode levar à expulsão de servidores do BC suspeitos de envolvimento no caso Master
Publicado em 24/03/2026 , por Folha Online
A CGU (Controladoria-Geral da União) abriu processo contra o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana. Os dois são investigados por suspeita de facilitar os interesses do Banco Master no órgão regulador do setor bancário.
Segundo duas pessoas a par das investigações, as provas encontradas no processo de sindicância aberto pelo BC devem levar à expulsão dos servidores do quadro funcional da autarquia.
A defesa de Paulo Sérgio disse que, por ora, aguarda a manifestação da CGU para abertura do prazo para defesa e contraditório. A Folha acionou os advogados de Belline Santana na manhã desta segunda (23), mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
As portarias determinando a abertura do PAD (Processo Administrativo Disciplinar) foram publicadas nesta segunda no Diário Oficial da União. Como o processo é sigiloso, as portarias não citam o nome dos funcionários do BC. Os processos têm prazo de 60 dias para serem finalizados.
A CGU também poderá pedir a abertura de um processo por corrupção ativa contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, já que o Master foi liquidado pelo BC no ano passado.
Paulo Sérgio e Belline são investigados pela Polícia Federal e devem responder criminalmente pela participação no esquema montado por Daniel Vorcaro. Segundo um investigador, eles podem, inclusive, fazer uma delação premiada.
Como mostrou reportagem da Folha, Paulo Sérgio é suspeito de ter manipulado informações sobre a atuação do Master quando chefiava a área de Fiscalização, na gestão de Roberto Campos Neto, para afastar suspeitas da cúpula do órgão e driblar investigações internas.
Segundo relato feito à Folha por duas pessoas com conhecimento do assunto, Paulo Sérgio fornecia dados incorretos à diretoria do BC sobre o balanço do Master e minimizava as queixas de banqueiros rivais sobre o modelo de negócio agressivo da instituição.
Paulo Sérgio atuou como diretor de Fiscalização da autoridade monetária entre 2017 e 2023 e, depois disso, assumiu o posto de chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária.
Um episódio que chamou a atenção de um desses interlocutores trata das carteiras de crédito para pessoas jurídicas. Entre 2022 e 2023, quando era diretor do BC, Paulo Sérgio recebeu de Roberto Campos Neto a incumbência de verificar carteiras de crédito de empresas e fundos ligados ao banco de Vorcaro e visitar algumas dessas companhias para checar as operações.
Depois de conduzir o estudo solicitado pelo então presidente do BC, Paulo Sérgio levou à diretoria colegiada a convicção de que as empresas tinham negócios genuínos e que não havia motivo para preocupação.
Fonte: Folha Online - 23/03/2026
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