Empresa da Stone é alvo de tentativa de fraude de R$ 350 milhões em pagamentos de cartão
Publicado em 17/08/2026 , por Folha Online
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Uma tentativa de fraude de cerca de R$ 350 milhões foi identificada na registradora de recebíveis TAG, controlada pela Stone, que atua em serviços financeiros e meios de pagamento, segundo relatos feitos à Folha por três pessoas com conhecimento do assunto.
Sem fornecer detalhes, a TAG confirmou à Folha a tentativa de fraude e disse que não houve impacto financeiro, liquidação indevida ou exposição de dados de clientes.
As operações fraudulentas teriam envolvido valores a receber de prestadoras de serviços aos consumidores, como Uber e Netflix. Recebíveis são valores que uma empresa tem a receber por vendas já realizadas no cartão.
Segundo informações obtidas pela Folha, os suspeitos tentaram alterar a titularidade dos recebíveis para que os valores, que pertenciam a empresas, passassem a aparecer como deles.
Com os recebíveis vinculados à titularidade dos fraudadores, eles teriam tentado transformar esses direitos a receber em recursos financeiros, direcionando os valores para contas sob o controle deles.
O valor da tentativa de fraude foi elevado por envolver grandes empresas ligadas ao consumo, que movimentam altos volumes de dinheiro. Procurada, a Netflix disse que não comentaria o assunto. A Uber não retornou o pedido de entrevista até a publicação deste texto.
Uma instituição financeira participante dos sistemas da Núclea identificou a irregularidade, percebeu um comportamento atípico nos pedidos de alteração de titularidade e alertou a TAG.
A Núclea, que tem 48 instituições financeiras como acionistas, atua como parte da infraestrutura do sistema financeiro, registrando informações sobre recebíveis e conectando instituições que participam dessas operações.
Essa estrutura permitiu que o problema fosse identificado e comunicado à TAG. Após ser informada, a TAG desligou os participantes envolvidos da infraestrutura. Em conjunto com outros sistemas de registro e de liquidação, também bloqueou as operações e cancelou as alterações feitas nos registros.
"Em estreita cooperação com os demais sistemas de registro e de liquidação, agiu imediatamente para identificar, bloquear e neutralizar a ação", disse. "Assim que confirmou o comportamento atípico, a companhia acionou seus protocolos de segurança, interrompeu os acessos envolvidos e comunicou o caso às autoridades competentes", disse a TAG em uma nota.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) disse ter sido comunicada sobre os indícios de irregularidades para que alertasse seus associados e recomendasse o bloqueio das operações.
A Febraban e a ABBC (Associação Brasileira de Bancos) disseram que seus associados foram informados sobre as operações suspeitas e orientados a bloqueá-las.
"As entidades comunicaram seus associados, e todas as operações afetadas foram devidamente bloqueadas e suspensas", afirmaram. Segundo as instituições, não foram registrados prejuízos às instituições financeiras nem a quaisquer clientes.
Fonte: Folha Online - 16/08/2026
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