Passageiro não é o culpado pela crise das empresas aéreas
Publicado em 07/04/2026 , por Folha Online
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As companhias aéreas certamente estão muito gratas ao ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), que suspendeu, em março, a tramitação de processos judiciais contra essas empresas por alteração, cancelamento ou atraso de voos em "casos de força maior".
Os passageiros, contudo, não têm motivo para comemorar a decisão e seus efeitos. A sensação é de que só têm perdido direitos no transporte aéreo desde que passaram a pagar o despacho da bagagem.
A gratuidade para despachar mala de até 23 kg acabou em 2017, com a justificativa de que isso geraria redução do preço da passagem. Nem é preciso dizer que tal redução não aconteceu. Há vários anos, também, as companhias deixaram de servir refeições e lanches gratuitos. Em alguns casos, somente a água é de graça.
A reserva de assento também é paga. Para não ter de pagar para se sentar durante o voo, há que esperar o check-in e viajar no assento escolhido pela companhia.
Desde novembro do ano passado, está no Senado Federal. Se for aprovado nessa casa legislativa, os passageiros finalmente reconquistarão alguns direitos.
É evidente que a aviação civil enfrenta grandes dificuldades. Mas os consumidores não são o problema, e podem ser a solução. A baixa renda média dos brasileiros não é suficiente para o uso mais intensivo do transporte aéreo, que deveria ocorrer ao natural em um país com dimensões continentais.
Há obstáculos tributários, como o custo do querosene da aviação. E a necessidade de investir cada vez mais em sustentabilidade ambiental, a fim de evitar a taxação do querosene de aviação pelo IS (Imposto Seletivo).
O uso de SAF (Combustível de Aviação Sustentável) é fundamental para que os custos da aviação civil não aumentem, com consequente repasse aos preços das passagens aéreas.
Nesse aspecto, deve-se acompanhar com atenção a primeira biorrefinaria com foco total em combustíveis renováveis, tendo como matérias-primas óleos vegetais. A Refinaria Riograndense, primeira refinaria de petróleo fundada no Brasil, em 1937, em Rio Grande (RS), que tem participação societária da Petrobras, Ultra e Braskem, está em processo de transformação para a produção de Bio-GL, gás produzido a partir de óleo vegetal, diesel verde, SAF e nafta verde.
Além disso, a Petrobras iniciou a entrega de SAF na Refinaria Duque de Caxias, e a Acelen está desenvolvendo esse combustível com óleo de macaúba, com previsão para operação a partir de 2028.
Fonte: Folha Online - 06/04/2026
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