Com média de R$ 1,1 mil, 27,5 milhões vivem inadimplência recorrente
Publicado em 17/04/2026 , por CNN Brasil
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Perfil indica endividamento pulverizado, com maior concentração entre 36 e 45 anos
O Brasil tem pelo menos 27,5 milhões de pessoas com o nome negativado e dívidas médias em torno de R$ 1,1 mil, segundo levantamento da Assertiva obtido pela CNN. Os dados mostram que o endividamento no país é disseminado, recorrente e concentrado em valores baixos.
Ao longo de 2025, esses CPFs foram consultados 57,3 milhões de vezes, o equivalente a cerca de duas consultas por pessoa no período, o que indica dificuldade de saída da inadimplência.
O perfil dos endividados é praticamente equilibrado entre homens (50,74%) e mulheres (49,26%), sem predominância significativa de gênero. A maior concentração está na faixa de 36 a 45 anos, que reúne 22,77% dos casos, seguida pelos grupos de 46 a 55 anos (18,44%) e acima de 65 anos (18,23%).
Os dados também mostram que a inadimplência não está concentrada em grandes dívidas. Entre consumidores com apenas uma pendência, o valor médio é de R$ 1.167,67. Para quem tem duas dívidas, a média cai para R$ 813,40 por débito, e segue diminuindo conforme o número de dívidas aumenta.
Na prática, isso indica um padrão de múltiplas pequenas dívidas acumuladas, mais ligado ao orçamento cotidiano das famílias do que a financiamentos de maior valor.
“Apesar do valor médio das dívidas girar em torno de mil reais, o que pode parecer moderado em termos individuais, a alta concentração de pessoas endividadas indica que o problema é estrutural e atinge uma parcela significativa da força de trabalho do país”, diz a Assertiva.
Uma amostra mais detalhada, com 651 mil CPFs, mostra que esse grupo concentra 2,7 milhões de dívidas. Em casos extremos, há registros de pessoas com mais de 2 mil débitos em aberto, o que evidencia situações de superendividamento.
Esse perfil tem impacto direto sobre a economia. Consumidores negativados têm acesso mais restrito ao crédito e tendem a reduzir gastos, o que limita a recuperação do consumo — um dos principais motores do crescimento.
“A situação evidencia que muitas famílias e trabalhadores vivem sob constante pressão financeira, o que pode comprometer seu poder de consumo, a capacidade de poupança e a estabilidade econômica geral”, frisa a companhia.
É nesse contexto que o governo discute um novo pacote de medidas voltado à renegociação de dívidas das famílias. A nova versão do programa de renegociação, o chamado Desenrola 2.0, está em fase final de elaboração e deve incluir descontos nas dívidas e mecanismos para evitar que os beneficiários voltem a se endividar.
O retorno do programa vem após o diagnóstico de que o endividamento voltou a crescer mesmo depois que as pessoas saíram da inadimplência.
Segundo dados do Banco Central, compilados pela CNN, em menos de dois anos do fim do programa, o calote novo superou em 15% o total renegociado. Hoje, o sistema bancário tem a marca alarmante – e recorde – de R$ 171,4 bilhões em operações de crédito com atrasos superiores a 90 dias nos pagamentos. O dado é de fevereiro de 2026.
Entre as propostas em análise do governo está a criação de uma espécie de “trava” para restringir o acesso a linhas de crédito mais caras, como o rotativo do cartão e o cheque especial, além de contrapartidas para incentivar educação financeira.
Fonte: CNN Brasil - 17/04/2026
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