Veja medidas do pacote contra endividamento previsto para 1º de maio
Publicado em 27/04/2026 , por Metropoles
Pronto para ler a matéria.
Governo prepara novo Desenrola para conter o endividamento e avalia uso de crédito mais barato para aliviar dívidas
A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) finaliza um pacote de medidas para enfrentar o alto nível de endividamento das famílias brasileiras, com anúncio previsto para 1º de maio, Dia do Trabalhador.
A proposta reúne frentes diversas, envolvendo renegociação de dívidas e barateamento do crédito, buscando atacar um dos principais entraves ao consumo no país: o peso do endividamento, especialmente no caso de débitos de maior custo, como cartão de crédito e cheque especial.
Medidas que serão apresentadas
O eixo central do pacote contra o endividamento é a reformulação de programas de renegociação, nos moldes do Desenrola Brasil. A nova versão deve ampliar o alcance da iniciativa, com foco em dívidas bancárias e não bancárias, e pode prever descontos mais amplos.
A ideia é permitir abatimentos relevantes sobre o valor total devido, principalmente em débitos já negativados, criando incentivos para que credores aceitem acordos e consumidores consigam limpar o nome.
Outro ponto do pacote é o uso de garantias públicas para destravar o crédito. O governo estuda ampliar a atuação do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que pode cobrir parte do risco das instituições financeiras em operações de renegociação.
A medida reduz a exposição dos bancos à inadimplência e abre espaço para a oferta de juros mais baixos e prazos mais longos nos novos contratos firmados com os devedores.
Análise de possível liberação do FGTS
Também está em análise a possibilidade de utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como instrumento de alívio financeiro. A medida pode permitir que trabalhadores utilizem parte do saldo para quitar ou amortizar dívidas, especialmente aquelas com juros mais elevados.
A proposta, ainda em discussão, é vista como uma forma de trocar dívidas por recursos já pertencentes ao trabalhador, reduzindo o comprometimento da renda mensal.
No campo do crédito, o pacote deve reforçar o estímulo a linhas mais baratas, como o consignado. O governo avalia medidas para ampliar o acesso a essa modalidade, inclusive para trabalhadores do setor privado, o que pode incluir ajustes regulatórios e incentivos para adesão de empresas.
Como as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento, o risco de inadimplência é menor, o que permite taxas mais reduzidas em comparação a outras linhas.
Outra frente relevante envolve a portabilidade de crédito. A equipe econômica quer facilitar a migração de dívidas entre instituições financeiras, permitindo que consumidores troquem empréstimos mais caros por opções com juros menores.
A medida busca aumentar a concorrência no sistema bancário e pressionar as taxas para baixo, criando um ambiente mais favorável ao tomador de crédito.
O pacote também deve incluir ações voltadas à educação financeira e à prevenção do superendividamento. A proposta é ampliar campanhas e mecanismos de orientação ao consumidor, além de incentivar práticas mais responsáveis na concessão de crédito por parte das instituições financeiras.
O objetivo é evitar que famílias que consigam renegociar suas dívidas voltem a se endividar em condições desfavoráveis.
Há ainda discussões sobre a inclusão de públicos específicos nas medidas, como microempreendedores individuais (MEIs), pequenos negócios e estudantes com débitos em programas como o Financiamento Estudantil (Fies).
A ampliação do escopo busca atingir diferentes perfis de devedores, reconhecendo que o endividamento não se limita às famílias, mas também afeta a capacidade produtiva de pequenos empreendimentos.
Bets e mercado de previsões
Integrantes do governo também avaliam a adoção de medidas indiretas para conter o avanço das dívidas, como possíveis restrições ao uso de recursos em apostas eletrônicas, as bets, por beneficiários de programas sociais.
A leitura é que o crescimento desse tipo de gasto pode comprometer a renda disponível de famílias mais vulneráveis, agravando o quadro de inadimplência.
Na sexta-feira (24/4), o governo anunciou regulamento aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que proíbe o mercado de apostas no país com foco em palpites baseados em previsões. A nova regra entrará em vigor dia 4 de maio.
A medida proíbe a oferta e negociação de contratos derivativos (“apostas estruturadas” que funcionam como ativos financeiros) ligados a eventos esportivos reais, jogos virtuais on-line e acontecimentos de natureza política, eleitoral, social, cultural ou de entretenimento.
Com isso, ficam proibidos no Brasil contratos relacionados a:
- resultados de jogos esportivos;
- eleições e temas políticos;
- reality shows e entretenimento;
- eventos sociais ou culturais.
Endividamento e juros altos
O pacote chega em um momento em que o endividamento das famílias permanece elevado. Uma parcela significativa dos brasileiros tem dívidas em atraso ou compromete grande parte da renda com parcelas mensais, o que limita o consumo e afeta a atividade econômica.
Ao mesmo tempo, os juros ainda elevados encarecem o crédito e dificultam a saída desse ciclo. Atualmente a taxa básica de juros, a Selic, está em 14,75% ao ano.
Relação entre juros e endividamento
- A taxa Selic, hoje em14,75% ao ano, é a principal ferramenta utilizada para controlar a inflação no país;
- Cabe aoComitê de Política Monetária(Copom) definir se a Selic será reduzida, mantida ou elevada, sempre com o objetivo de conter a alta dos preços de bens e serviços;
- Quando os juros sobem, a tendência é dedesaceleraçãodo consumo e dos investimentos;
- Com isso, ocrédito se torna mais caro, a economia perde fôlego e a pressão sobre os preços diminui tanto para consumidores quanto para produtores, o que tente a aumentar o nível de endividamento.
A expectativa do governo é que a combinação de renegociação, crédito mais barato e medidas estruturais ajude a reduzir a inadimplência ao longo do tempo.
Ainda assim, especialistas avaliam que os efeitos tendem a ser graduais e dependem de fatores macroeconômicos, como a trajetória da taxa de juros e a evolução da renda e do emprego.
Com o anúncio previsto para o Dia do Trabalhador, o pacote também carrega um componente simbólico e político em ano eleitoral, ao reforçar a agenda voltada ao alívio financeiro das famílias.
A efetividade das medidas, no entanto, dependerá da adesão de bancos e credores, além da capacidade do governo de equilibrar estímulos ao crédito com a sustentabilidade fiscal.
Fonte: Metropoles - 27/04/2026
Notícias relacionadas
- Crédito consignado contratado sem a solicitação do consumidor
- 21/09/2026 'Negociar a dívida é uma chance de recomeçar': diretor da Febraban lista as principais estratégias
- Taxa média de juros em dezembro registrou 24,4% ao ano
- 30/06/2026 Lula anuncia nova fase do Desenrola com desconto em juros de empréstimos e de olho na eleição
- A informação qualificada na concessão responsável do crédito
- 03/06/2026 Endividamento familiar recorde; o que explica índice e o que pode ser feito
- Sem transparência, sistema score de crédito viola direitos do consumidor
- 28/08/2026 MEC corrige prazo e encerra adesão ao Desenrola Fies na próxima segunda (31)
- 14/11/2015 Cobranças de dívidas por telefone: o que é permitido e o que fazer em caso de abuso
- Renda menor e crescimento da oferta de crédito levam endividamento das famílias a novo recorde
Notícias
- 24/09/2026 'Drogômetro': novo aparelho que será usado nas blitzes da Lei Seca vai pegar motorista que toma remédio?
- OCDE cita 'demanda interna resiliente' e eleva previsão do PIB brasileiro em 2026
- 3ª fase da Operação Carbono Oculto é deflagrada com mandados de busca e apreensão
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Como tirar o nome do SPC e SERASA? Quais os procedimentos para exclusão?
