INSS reduz fila cortando benefícios
Publicado em 07/05/2026 , por Folha Online
Pronto para ler a matéria.
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) está obstinado em reduzir a fila de pessoas que esperam resposta do órgão há mais de 45 dias, nem que para isso precise atropelar o direito alheio.
Uma série de medidas criativas está sendo adotada para diminuir o estoque de pendências. A última delas foi um pente-fino em cerca de 15 mil requerimentos de BPC (Benefício de Prestação Continuada), destinado aos mais pobres. A maioria dos pedidos foi cancelada sumariamente por falta de biometria.
Ao nomear Ana Cristina Viana Silveira para a presidência do INSS, o presidente Lula (PT) a incumbiu de uma missão nada singela: "Solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás".
Não é o que vem acontecendo. Muitos brasileiros estão sendo expulsos da fila e ficando para trás.
O curioso é que o governo Lula não conseguiu equacionar nesse tempo todo o problema da fila. Pelo contrário, ela dobrou. Mas exige da nova chefe do órgão que o problema se resolva nesse finalzinho de mandato.
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Em fevereiro, após atingir pico de 3,1 milhões de segurados esperando resposta do INSS, a fila começou a cair. Com menos de um mês desde a nomeação de Silveira, surpreendentemente houve redução para 2,6 milhões de pedidos.
O problema é como isso vem ocorrendo. É preciso reduzir a fila, mas também é necessário respeitar o direito das pessoas.
Em nota, o INSS explicou que havia "um lote de 15 mil requerimentos de BPC parados por falta de biometria". Eles foram cancelados sem qualquer justificativa, embora a lei exija uma razão. A norma também autoriza que as pendências fiquem em exigência, viabilizando prazo para regularizar a biometria. Isso não aconteceu. Há suspeitas de que o número de negativas seja bem maior devido a outros procedimentos.
O INSS afirmou que quem teve o pedido negado não precisa dar entrada novamente, pois as análises foram retomadas com prioridade e sem prejuízo de mérito.
Outras medidas não ortodoxas foram tomadas para a redução da fila.
Uma delas é a limitação do número de pedidos de aposentadoria. Como foi publicado nesta Folha, não é mais possível fazer múltiplas solicitações para um mesmo benefício se houver pendência de recurso.
A fim de reduzir a fila, a coluna apurou que o INSS vai ser rigoroso com quem perdeu a data da perícia e não fez o reagendamento em sete dias, ação que vai motivar indeferimento automático. A assessoria de imprensa do órgão não se pronunciou sobre o tema.
Outra novidade é o cancelamento automático do Bolsa Família em casos de solicitação do BPC por incompatibilidade de renda. Quem for requerer o benefício perderá o direito ao Bolsa Família. Esse requisito deve também impactar os números da fila.
Em abril, o INSS afrouxou as regras para concessão de benefício por incapacidade. Ampliou o prazo do Atestmed para até 90 dias de afastamento, sem necessidade de perícia presencial.
É importante centrar esforços para reduzir o tempo de espera de quem necessita benefício cujo caráter é alimentar. Mas não se deve fazer isso a todo custo ou maquiando números. É necessário sensatez e respeito ao direito alheio.
Fonte: Folha Online - 06/05/2026
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