Cartórios registram salto de 569% em cobranças de condomínio em 2025
Publicado em 15/06/2026 , por Folha Online
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O número de dívidas de condomínios enviadas a cartórios para cobrança disparou no Brasil em 2025. Segundo levantamento do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil, foram registrados 100.815 documentos de cobrança no ano passado, ante 15.071 em 2024, um salto de 569% e o maior crescimento da série histórica iniciada em 2020.
Em valores, o montante das dívidas encaminhadas para protesto passou de R$ 29,5 milhões para R$ 199,4 milhões no período, uma alta de 577%.
Os dados indicam uma mudança na forma como síndicos e administradoras de condomínios vêm lidando com a inadimplência, segundo a entidade. Em vez de recorrer diretamente à Justiça, cada vez mais gestores têm optado por encaminhar débitos em atraso aos cartórios de protesto, mecanismo que pode resultar em restrições de crédito para os devedores.
De acordo com o levantamento, 35,7% das dívidas apresentadas tiveram algum tipo de resolução em 2025, seja por pagamento, acordo entre as partes ou cancelamento da cobrança. Ao todo, 34.528 débitos foram solucionados ao longo do ano, permitindo a recuperação de cerca de R$ 70 milhões.
A pesquisa mostra ainda que parte dos pagamentos ocorre logo após o início do processo de cobrança. Quase 15% das dívidas resolvidas foram quitadas nos três primeiros dias após a notificação do devedor. Outros 16% dos casos tiveram pagamento depois da efetivação do protesto.
Para André Gomes Netto, presidente do Ieptb, os números refletem uma mudança de comportamento na gestão financeira dos condomínios. "A dívida está sendo cobrada mais cedo e, por isso, sendo paga mais rápido", afirma. Segundo ele, a utilização dos cartórios permite reduzir a dependência de ações judiciais, que costumam levar anos para serem concluídas.
Apesar do aumento da recuperação de créditos, a maior parte das cobranças continua pendente. Cerca de 61% das dívidas levadas a protesto em 2025 permaneciam sem pagamento ao final do período. Nesses casos, os devedores podem enfrentar restrições para obtenção de empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito.
Os dados mais recentes indicam que a tendência de alta continua em 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, 26.866 dívidas condominiais foram encaminhadas a protesto, somando R$ 42,8 milhões. No mesmo período, 7.112 títulos foram resolvidos.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS
Fonte: Folha Online - 14/06/2026
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