El Niño pode elevar conta de luz e exigir uso de mais térmicas no Brasil
Publicado em 16/06/2026 , por Folha Online
Na semana passada, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) emitiu um alerta para operadores de hidrelétricas na região Sul do país reforçarem a segurança para enfrentar a possibilidade de fortes chuvas no segundo semestre.
O alerta foi motivado pela grande probabilidade de ocorrência "do fenômeno El Niño de fortes proporções", afirmou a agência reguladora. "Faz-se necessária a tomada de ações preventivas para identificar e mitigar fatores de risco", diz o texto.
A possibilidade de fortes chuvas na região Sul é apenas um dos tipos de impacto que o El Niño pode ter no setor elétrico brasileiro, segundo especialistas. Aumento do uso de usinas térmicas (e da conta de luz) e cortes de fornecimento por incêndios e fortes ventos são outros.
"No setor de energia, as temperaturas mais altas tendem a elevar o consumo de eletricidade, especialmente por conta do uso de aparelhos de refrigeração", afirmou o Climatempo, em nota distribuída nesta segunda-feira (15).
"Ao mesmo tempo, a irregularidade das chuvas pode afetar reservatórios e exigir planejamento mais cuidadoso do sistema elétrico. Há ainda o risco de atraso no início do período úmido no Sudeste e Centro-Oeste, regiões que concentram cerca de 70% da produção hidrelétrica."
O início do El Niño foi confirmado na quinta-feira (11) pela Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos. A entidade estima que a chance de um fenômeno de alta intensidade entre setembro e janeiro é de 63%.
"O El Niño se caracteriza por intensificação de chuvas no Sul e por seca no restante do país", diz o ex-diretor-geral do ONS (Opera dor Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Eduardo Barata. "Como nossos reservatórios estão no Sudeste e Nordeste, ele reduz a energia armazenada".
Hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste respondem por cerca de dois terços da capacidade de armazenar energia do país. Os reservatórios dessas regiões estão hoje a 66% da capacidade máxima, o pior patamar para essa época desde a crise energética de 2021.
O Brasil hoje enfrenta excesso de energia durante o dia, mas pode precisar de eletricidade extra no início da noite, principalmente se a previsão de ondas de calor se confirmar. Nesse caso, o uso de térmicas tende a ser intensificado.
As térmicas são pagas pelo consumidor comum com as bandeiras tarifárias cobradas na conta de luz. "A probabilidade de bandeira vermelha é maior a partir de agosto", diz Victor Hugo Iocca, diretor de Energia Elétrica da Abrace (Associação dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livre).
A bandeira vermelha patamar 1 cobra R$ 4,46 por cada 100 kWh (quilowatts-hora). A patamar 2 cobra R$ 7,87. Atualmente, o consumidor paga a bandeira amarela, de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos.
A combinação de estiagem severa com elevação do consumo pode jogar custo de térmicas também para 2027, quando as distribuidoras de eletricidade discutirem reajuste anual da tarifa com a Aneel.
E pode também demandar mais uso de térmicas no próximo ano, caso o estoque de água nos reservatórios das hidrelétricas não seja reposto no período chuvoso, que começa por volta de setembro e vai até março do ano seguinte.
Iocca diz que o governo deveria avaliar medidas para reduzir o uso de térmicas no início da noite, como o horário de verão e um programa de resposta da demanda, no qual grandes empresas são pagas para reduzir o uso de eletricidade em horários críticos.
O ex-diretor da Aneel e da ANA (Agência Nacional de Águas) Jerson Kelman acrescenta que o setor precisa de adaptação a eventos extremos, intensificados pela combinação El Niño e mudança climática, como tempestades e incêndios. Ele prefere cautela, entretanto, em relação a possíveis impactos do El Niño, sendo necessário monitorar o avanço de eventos extremos.
Ele destaca que a situação brasileira é melhor agora do que na última crise. "Diferente de 2001, hoje temos exército de placas solares e eólicas", diz. "Para que esse exército possa mitigar a possibilidade de problema energético, é preciso que hidrelétricas possam deixar de funcionar ou funcionar pouco nas horas em que tem sol ou vento."
Essa solução dependeria de ajustes com outros usuários da água, como prefeituras, indústrias e agronegócio. Em situações extremas, ANA e ONS já negociam esquemas operacionais mais restritivos em hidrelétricas.
Fonte: Folha Online - 16/06/2026
Notícias relacionadas
- 16/06/2026 Geração Z rejeita smartphones e impulsiona vendas de câmeras digitais
- 16/06/2026 Empresa de identidade digital acusa Serasa de usar indevidamente milhões de dados biométricos
- 16/06/2026 Como chegar ao fim do mês no azul? Veja dicas de planejadores financeiros
- 16/06/2026 Mulher terá que pagar aluguel ao ex-marido por morar em imóvel do casal em Juiz de Fora; dívida passa de R$ 175 mil
- 16/06/2026 Receita abre consulta à restituição automática do IR 2026 em 8 de julho; veja quem recebe
- 16/06/2026 El Niño pode elevar conta de luz e exigir uso de mais térmicas no Brasil
- 15/06/2026 IPCA: preços sobem 0,58% em maio, mas alimentação em casa tem maior alta para o mês em 18 anos
- 15/06/2026 Governo libera nesta segunda (15) abono do PIS/Pasep para nascidos em julho e agosto
- 15/06/2026 Bolsa Família de junho começa a ser pago nesta quarta (17); veja calendário
- 15/06/2026 Como economizar com o cartão de crédito sem cair em dívidas
Notícias
- 16/06/2026 Receita abre consulta à restituição automática do IR 2026 em 8 de julho; veja quem recebe
- Como chegar ao fim do mês no azul? Veja dicas de planejadores financeiros
- Empresa de identidade digital acusa Serasa de usar indevidamente milhões de dados biométricos
- Anac apura se helicóptero envolvido em colisão no Rio fazia transporte clandestino
- Plano de saúde Best Senior sem coparticipação chega ao DF
- Mercado financeiro sobe para 5,30% estimativa de inflação em 2026 e projeta corte menor de juros
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
