Anac apura se helicóptero envolvido em colisão no Rio fazia transporte clandestino
Publicado em 16/06/2026 , por Folha Online
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), órgão fiscalizador do transporte aéreo no Brasil, afirmou nesta segunda-feira (15) que investiga um dos helicópteros que colidiram no Rio de Janeiro por possível transporte clandestino de passageiros.
A informação foi adiantada pelo presidente da agência, Thiago Faierstein, à GloboNews, e confirmada pelo órgão à Folha.
Dois helicópteros se chocaram no ar acima do bairro Recreio dos Bandeirantes neste domingo (14). A colisão matou seis pessoas –dois pilotos e quatro passageiros.
Um dos helicópteros, o de prefixo PP-MAC, não tinha autorização para transporte remunerado de passageiros, mas carregava o youtuber argentino Gaspi, o cantor americano Oliver Tree, o produtor musical Lucas Frota e o cineasta argentino Lucas Vignale, além do piloto Alexandre Souza. Todos eles morreram na queda da aeronave que seguia para Angra dos Reis (RJ).
A Anac diz ter coletado indícios, numa apuração ainda preliminar, de que a aeronave estava sendo utilizada para transporte remunerado de passageiros mesmo sem ter licença para prestar esse serviço. A licença da aeronave permitia transporte do proprietário e de convidados.
A empresa proprietária da aeronave já havia sido alvo de uma apuração da Anac em março de 2025 por possível transporte irregular de passageiros. A agência intimou a empresa a prestar informações, mas não obteve resposta –algo que, segundo o órgão, "impossibilitou a análise da ocorrência".
Como resposta ao "sumiço" do proprietário, a Anac decidiu aplicar uma multa de R$ 8.000 e incluir o helicóptero PP-MAC numa lista de alvos prioritários de fiscalização.
Numa batida subsequente, a aeronave não foi encontrada. "As equipes técnicas da Anac realizaram diversas atividades em aeródromos do estado do Rio de Janeiro, em 2025 e 2026, incluindo a 'Operação Voe Seguro', na qual 43 aeronaves e 47 tripulantes foram fiscalizados em dois dias de atividade [...] nessas fiscalizações, a aeronave PP-MAC não foi encontrada", diz a nota enviada pela Anac à reportagem.
A reportagem procurou a Turfik Comércio de Frutas e o seu sócio, Oswaldo de Luca Filho, por telefone e email nesta segunda-feira (15), mas ainda não obteve retorno.
"Não é possível definir neste momento quanto tempo durará esse trabalho [de investigação], visto que depende do recebimento de respostas dos interessados e respectivas análises técnicas para emissão de parecer final e adoção das providências administrativas cabíveis, se houver", afirmou a Anac em nota. "É precipitado fazer qualquer associação entre a modalidade do voo e o acidente."
Na outra aeronave, de prefixo PR-DJJ e com destino à região serrana, estava o piloto Charles Marsillac, que também morreu. O proprietário deste último helicóptero detinha um contrato de prestação de serviços de transporte com a Prefeitura do Rio considerado irregular pela Anac.
Em troca de horas de voo em prol do município, o proprietário ganhou acesso ao heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da capital fluminense. Maurício da Cunha e Silva, dono da aeronave, não se manifestou sobre o assunto. A Prefeitura do Rio também foi procurada, mas não respondeu.
"Aeronaves privadas [não certificadas para transporte/panorâmico] não podem receber compensação para realizar voos. Aeronaves desse tipo devem ser utilizadas para benefício do seu proprietário ou operador e seus convidados. O transporte não pode ser cobrado", afirmou a Anac em nota.
Investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à Força Aérea, vão conduzir um inquérito sobre as causas do acidente.
"Precisamos verificar se essas aeronaves —ou pelo menos uma delas, a que estava com passageiros— estavam realizando o que a gente chama de transporte aéreo clandestino. Nós temos várias denúncias e algumas investigações em curso", declarou Faierstein à GloboNews.
Ele ressalvou que os dois pilotos eram experientes e que as aeronaves se encontravam em situação regular, reforçando o que já havia dito o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), no domingo.
Fonte: Folha Online - 15/06/2026
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