Entenda como medicamentos e suplementos podem influenciar exames laboratoriais
Publicado em 25/06/2026 , por G1
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Pacientes devem relatar tudo o que estão tomando, para que alterações nos resultados não comprometam diagnósticos.
Embora o debate sobre polifarmácia – a utilização de cinco ou mais medicamentos simultaneamente – normalmente esteja associado às interações (às vezes danosas) das substâncias presentes nos remédios, há uma outra questão menos conhecida, mas igualmente relevante. Trata-se das interações entre medicamentos e exames laboratoriais, tema da palestra de Thiago de Melo Costa Pereira, professor da Universidade Vila Velha no 51º. Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, que ocorrerá no Rio de Janeiro entre 28 de junho e 1º. de julho.
Pesquisador com atuação nas áreas de farmacologia, bioquímica e fisiologia, o professor tem mais de 560 mil seguidores nas redes sociais no seu perfil @farmaconapratica e outros 255 mil inscritos em seu canal no YouTube, ambos voltados para a divulgação científica. Ele alerta que exames clínicos podem estar “contaminados” pelo uso de medicamentos e, a meu pedido, deu uma lista de exemplos para facilitar a compreensão:
Pereira apresenta outra situação de interação que pode resultar em exames desnecessários e custos extras. Atualmente, a creatina é utilizada como suplemento alimentar para melhorar o rendimento no exercício físico e para evitar a sarcopenia, que é perda progressiva de massa muscular. No entanto, seu uso deve ser comunicado ao médico e ao laboratório de análises clínicas:
A biotina, popular contra a queda de cabelo e unhas fracas, é mais um exemplo de suplementação bastante comum. Entretanto, pode apontar um quadro falso de hipertireoidismo, porque provoca um TSH (hormônio tireoestimulante) falsamente baixo e um T4 (tiroxina) falsamente alto – sendo este último o principal hormônio produzido pela glândula tireoide e fundamental para regular o metabolismo. Portanto, é indispensável suspender o uso da biotina por dois a sete dias antes do exame.
A lista é grande e abrange diversas categorias de medicamentos – de anti-inflamatórios a antipsicóticos. Para evitar problemas, seguem as orientações do professor:
- Na consulta:é indispensável fazer uma relação de tudo o que está sendo consumido – não somente medicamentos, mas também suplementos, fitoterápicos e até chás.
- Nos retornos:relate se foi introduzido algum novo remédio ou tratamento.
- Uma alternativa prática:utilizar os chamados testes rápidos realizados em farmácias. Desde 2023, além da tradicional aferição da pressão arterial, muitas passaram a oferecer exames como glicemia e colesterol, entre outros. Tais testes podem ajudar as pessoas a acompanhar seu tratamento com uma frequência maior entre as consultas, facilitando a identificação precoce de alterações que merecem atenção. Pereira destaca que esses exames devem seguir os mesmos padrões de qualidade e segurança exigidos dos laboratórios clínicos.
Fonte: G1 - 25/06/2026
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