Economistas preveem que El Niño elevará inflação no Brasil, mostra consulta do BC
Publicado em 25/06/2026 , por Folha Online
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Economistas no Brasil esperam que o fenômeno climático El Niño tenha um impacto significativo sobre a inflação neste ano e no próximo, o que ainda não foi totalmente incorporado às suas previsões, segundo enquete do Banco Central divulgada nesta quarta-feira (24).
A estimativa mediana de quase cem economistas consultados no mais recente questionário pré-Copom, encaminhado antes da decisão sobre a taxa de juros da semana passada, apontou para um impacto de 0,3 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA em 2026 e de 0,4 ponto em 2027.
Esta foi a primeira vez desde janeiro de 2024 que o BC incluiu no questionário periódico uma pergunta sobre o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redistribuição das chuvas, que deve se intensificar no segundo semestre deste ano.
Os entrevistados afirmaram já ter incorporado cerca de dois terços desse impacto em suas estimativas para os preços ao consumidor neste ano, mas apenas metade para o próximo ano.
A pesquisa mostrou que o IPCA deve fechar este ano em 5,2% e em 4,2% no próximo, em ambos os casos bem acima da meta de 3% do banco central.
O questionário também mostrou que o mercado esperava —antes da reunião em que a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual para 14,25%— que a taxa básica de juros fechará o ano em 14%, indo a 12% no fim de 2027.
Segundo o banco Citi, os preços dos alimentos sofrerão o maior impacto do El Niño no Brasil, onde o fenômeno climático tende a causar secas no Nordeste, afetando culturas como café, açúcar e frutas cítricas.
Os economistas do Citi Ernesto Revilla e Felipe Juncal afirmaram que, durante o forte El Niño de 2015–2016, o Brasil foi afetado por um aumento na inflação dos alimentos, que provavelmente se repetirá. Desta vez, espera-se que a inflação suba cerca de 1,47 ponto percentual nos dois meses seguintes ao choque.
O BTG Pactual afirmou que um "super El Niño" está se formando, com o impacto sobre a inflação dos alimentos provavelmente se tornando mais pronunciado no próximo ano.
O banco elevou sua previsão de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5%, refletindo os riscos do El Niño.
"Parte do choque pode ser transmitida para 2028 por meio da inércia e das expectativas. A magnitude dessa transmissão depende da credibilidade do banco central e da reação de curto prazo: quanto mais tempo o ciclo [de flexibilização dos juros] se prolongar, maior será o risco de desancoragem", afirmaram os analistas do banco em uma nota.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, alertou em maio que um El Niño forte se somaria aos choques de oferta ligados aos preços mais altos do petróleo devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, complicando os esforços para conter a inflação em meio a um mercado de trabalho restrito.
Ele disse que as autoridades monetárias enfrentam o desafio de separar os choques temporários de preços dos efeitos de segunda ordem, especialmente à medida que as expectativas de inflação se afastam da meta.
Na semana passada, o BC deixou em aberto os movimentos futuros na taxa básica de juros, reconhecendo que agora se espera que a inflação convirja para a meta somente no primeiro trimestre de 2028, um trimestre além de seu horizonte formal.
Na ata da reunião, o Copom observou que, embora os riscos para a inflação estejam inclinados para cima, a prática padrão é moderar a reação da política monetária a choques impulsionados pela oferta.
Fonte: Folha Online - 24/06/2026
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