Inflação nos EUA acelera em maio e supera 4% após três anos
Publicado em 26/06/2026 , por Folha Online
A inflação nos EUA acelerou em maio e ultrapassou 4% pela primeira vez em três anos, com o conflito no Oriente Médio impulsionando os preços da energia, o que pode levar o Fed (Federal Reserve, o BC do país) a aumentar a taxa de juros ainda este ano.
O índice de preços PCE subiu 4,1% nos 12 meses até maio, o maior aumento e a primeira leitura acima de 4% desde abril de 2023, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio nesta quinta-feira (25). O PCE subiu 3,8% em abril, em dado não revisado.
Economistas consultados pela Reuters previam que avanço do PCE de 4,1% nesta base de comparação. O índice teve alta de 0,4% em maio em relação ao mês anterior, mesma taxa de abril.
A guerra liderada pelos EUA contra o Irã elevou os preços do petróleo, levando a um aumento nos custos da gasolina. Embora os preços do petróleo e da gasolina tenham recuado nas últimas semanas em meio a um frágil cessar-fogo, economistas projetam que a inflação permanecerá elevada por algum tempo.
O presidente dos EUA, Donald Trump e seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram na semana passada um acordo de paz preliminar que reabriria as rotas de transporte de petróleo e outras rotas marítimas que foram bloqueadas pela guerra.
Os consumidores já enfrentavam antes do conflito dificuldades com os preços mais altos decorrentes das tarifas de importação impostas por Trump. Há duas semanas, o presidente norte-americano voltou a ameaçar vários países com novas taxas, o que pode pressionar mais a inflação.
O aumento do custo de vida é um problema político para Trump e seu partido Republicano, que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro em meio à crescente frustração com sua gestão da economia. Trump venceu a eleição presidencial de 2024 em parte devido à sua promessa de reduzir a inflação.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice de preços PCE teve alta de 3,4% em maio na base anual, depois de subir 3,3% em abril. O núcleo do PCE avançou 0,3% em relação ao mês anterior, após alta de 0,3% em abril.
O banco central dos EUA acompanha o índice PCE para sua meta de 2%. Na semana passada, o Fed manteve sua taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75%, mas as projeções trimestrais atualizadas mostraram que as autoridades esperam elevar os custos dos empréstimos ainda este ano, em meio a preocupações crescentes com a inflação.
Os mercados financeiros apostam que um aumento de juros poderá ocorrer já em setembro, com outra alta provável posteriormente. Tanto a inflação geral pelo PCE quanto o núcleo ficaram abaixo de 2% pela última vez no início de 2021.
Apesar da alta inflação, os consumidores mantiveram seus gastos, devido a restituições de impostos mais elevadas este ano, bem como a uma recuperação do mercado de ações, que amenizaram um pouco o impacto do aumento dos preços dos combustíveis. As famílias também estão recorrendo às economias e poupando menos.
Os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da atividade econômica, subiram 0,7% em maio, após um aumento de 0,4% em abril. Embora parte do aumento nos gastos reflita preços mais altos, o consumo parece estar a caminho de acelerar neste trimestre, após desacelerar no trimestre de janeiro a março.
O número de norte-americanos que entraram com pedidos de auxílio-desemprego caiu mais do que o esperado na semana passada, consistente com uma resiliência do mercado de trabalho.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram para 215 mil na semana encerrada em 20 de junho, 12 mil do que na semana anterior, em dado com ajuste sazonal do Departamento do Trabalho. Economistas consultados pela Reuters previam 225 mil pedidos para a última semana.
Os dados incluíram o feriado de Juneteenth (Dia da Libertação) da última sexta-feira (19), o que pode ter contribuído para parte da queda maior do que o esperado.
Não há sinais de que os empregadores estejam recorrendo a demissões em resposta ao aumento dos custos provocado pela guerra dos EUA contra o Irã. As empresas, no entanto, continuam cautelosas em relação às contratações.
Fonte: Folha Online - 25/06/2026
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