Brasil tem maior entrada de dólares no 1º semestre desde 2018
Publicado em 10/07/2026 , por Folha Online
O Brasil teve uma forte entrada de dólares no primeiro semestre deste ano. Segundo dados do Banco Central, o saldo ficou positivo em US$ 17,78 bilhões (R$ 91 bilhões) no período. Em termos nominais (sem considerar a inflação), esse é o melhor fluxo cambial desde 2018, quando houve entrada líquida de US$ 22,52 bilhões.
O movimento reverte a tendência vista no ano anterior, quando houve a maior saída da série histórica do BC, em termos nominais. No primeiro semestre de 2025, o fluxo ficou negativo em US$ 14,34 bilhões.
Além das exportações, impulsionadas por um petróleo mais caro, o fluxo de investimento estrangeiro também contribui para a melhora no movimento do câmbio.
Com a queda dos juros nos Estados Unidos, conflito no Oriente Médio e incertezas em torno do governo de Donald Trump, investidores buscam diversificar seu portfólio, colocando mais dinheiro em países emergentes, por exemplo.
"Para o investidor, é difícil achar países grandes com estabilidade, especialmente entre emergentes. E aí, o Brasil se destaca", diz Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura.
Na B3, o saldo de investimento estrangeiro ficou positivo em R$ 36,7 bilhões de janeiro a junho, acima dos R$ 26,9 bilhões do mesmo período de 2025, de acordo com dados da Bolsa de Valores.
O fluxo ajudou na queda de 6% do dólar ante o real neste ano, atualmente cotado a R$ 5,12. Já o Ibovespa, sobe 5,9% em 2026, a 172 mil pontos.
Economistas, porém, apontam para uma reversão de tendência no segundo semestre. As previsões são que os juros americanos e a Selic brasileira não devem cair tanto quanto o esperado. Também contribuem para uma maior aversão ao risco a continuidade das tensões no Irã e a proximidade das eleições presidenciais no Brasil.
Em junho, o cenário já apontava nesta direção. "O segmento financeiro manteve saídas líquidas relevantes, corroborando a perda de tração do financiamento externo observada desde a intensificação das tensões no Oriente Médio", diz o Itaú BBA em relatório.
O banco revisou suas projeções de taxa de câmbio para R$ 5,30 em 2026 (de R$ 5,15 anteriormente) e para R$ 5,50 em 2027 (de R$ 5,35).
Nesta quarta-feira (8), o banco BTG Pactual também atualizou sua previsão para o câmbio no fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40.
"A revisão deriva principalmente de uma significativa mudança no cenário global: dados sobre a atividade e o mercado de trabalho nos EUA vieram mais fortes do que o esperado, enquanto a inflação continua resiliente", escreveram os economistas do banco. Isso deve levar a uma atuação mais dura do Federal Reserve, o banco central americano.
Para os próximos meses, o BTG espera uma entrada adicional de dólares do lado comercial, enquanto do lado financeiro a volatilidade no fluxo da moeda deve permanecer.
Outro ponto de preocupação que eleva as expectativas para os juros é a inflação. Com a alta de insumos, como fertilizantes, por conta do conflito no Oriente Médio, e a chegada do El Niño, alimentos devem seguir pressionados.
Segundo o boletim Focus, economistas esperam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) suba 5,30% em 2026. Em março deste ano, a previsão estava abaixo de 4,5%. Isso também elevou a expectativa para a Selic, de 12% a 14%. A taxa está, atualmente, em 14,25% ao ano.
Apesar de juros mais altos no Brasil ajudarem a conter o dólar, a manutenção das taxas americanas em patamares mais elevados frea este fluxo para emergentes. Também é esperado que parte dos investidores desfaça suas posições no país com a aproximação das eleições, de modo a evitar a volatilidade dos mercados que costuma ocorrer no período.
Fonte: Folha Online - 09/07/2026
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