Com El Niño, governo deve elevar projeção oficial de inflação apesar da desaceleração em junho
Publicado em 13/07/2026 , por Folha Online
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Apesar da desaceleração recente da inflação, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve elevar a projeção para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O motivo é a expectativa de um impacto maior do fenômeno El Niño sobre os preços no segundo semestre, segundo apurou a Folha com integrantes da equipe econômica.
Nesta sexta-feira (10), o IBGE informou que o IPCA desacelerou para 0,16% em junho, após registrar alta de 0,58% em maio. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e reforçou a percepção de perda de força da inflação no curto prazo.
Atualmente, a projeção oficial do governo para a inflação de 2026 é de 4,5%, o teto da meta perseguida pelo BC (Banco Central). No acumulado de 12 meses, o IPCA desacelerou a 4,64% até junho.
Integrantes da equipe econômica, no entanto, afirmam que a revisão para cima da projeção oficial não contradiz o resultado divulgado nesta sexta. Segundo uma pessoa ouvida pela reportagem, a atualização deverá incorporar tanto a inflação observada nos últimos meses —que ficou acima do cenário considerado anteriormente pelo governo— quanto uma expectativa de efeitos mais intensos do El Niño sobre os preços ao longo da segunda metade do ano.
A nova grade de parâmetros será divulgada nas próximas duas semanas, ainda sem data definida, juntamente com o próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. O documento trará a atualização das projeções macroeconômicas que embasam os ajustes realizados bimestralmente pelo governo no Orçamento.
A expectativa de um El Niño mais intenso preocupa a equipe econômica porque o fenômeno costuma alterar o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país, afetando a produção agropecuária. Quebras de safra e menor oferta de alimentos tendem a pressionar preços de itens como frutas, verduras, legumes e grãos, com reflexos sobre o IPCA. Além dos alimentos, eventos climáticos extremos também podem elevar custos de energia e de logística, ampliando as pressões inflacionárias.
A equipe econômica recebeu positivamente o IPCA divulgado nesta sexta. Conforme mostrou a Folha, o resultado pegou de surpresa integrantes do mercado financeiro, que aguardavam um índice maior. A mediana das estimativas para junho era de 0,31%, conforme a agência Bloomberg. A inflação de 0,16% ficou abaixo inclusive do piso das previsões coletadas pela agência (0,26%).
O índice foi puxado para baixo no último mês devido à queda dos preços do grupo alimentação e bebidas (-0,24%), após altas acima de 1% nos três meses anteriores.
Embora tenha registrado queda no mês passado, no acumulado de 12 meses o índice ainda está acima da meta de inflação perseguida pelo Banco Central. Com a desaceleração, o IPCA registrou 4,64% até junho. A variação anterior era de 4,72% até maio.
Fonte: Folha Online - 11/07/2026
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