Presidente do BC compara cartão de crédito brasileiro a jabuticaba: 'É uma fruta legal, mas tem coisa que você não quer ser o único a ter'
Publicado em 27/07/2026 , por G1
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Gabriel Galípolo defendeu que, com o passar do tempo, país caminhe para um arranjo de pagamentos mais parecido com o que acontece em outras economias.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, comparou nesta sexta-feira (24), o sistema brasileiro de cartão de crédito a uma jabuticaba, ou seja, algo único no mundo.
Galípolo também defendeu que, com o passar do tempo, o país caminhe para um arranjo de pagamentos mais parecido com o que acontece em outras economias — indicando assim que poderiam ser adotados prazos menores de quitação para evitar maior endividamento.
Durante participação na "XP Expert", em São Paulo, Galípolo lembrou que o juro do cartão de crédito rotativo está atualmente, em 15% ao mês (acima de 400% ao ano), enquanto a taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, está em 14,25% ao ano.
Ele concluiu que a taxa de juros do cartão de crédito é "pouco sensível" à fixação do juro básico pela autoridade monetária, e avaliou que isso pode estar relacionado com a evolução e história da economia brasileira — marcada pela hiperinflação.
Segundo ele, esse modelo gera uma cadeia de crédito envolvendo 100 milhões de pessoas, na qual 60 milhões usaram o cartão de crédito à vista, para pagar no mês seguinte, ou parcelaram a operação — quitando mês a mês —, sem a incidência de taxa de juros.
Ao mesmo tempo, porém, outras 40 milhões de pessoas não quitam integralmente o crédito contratado — pagando juros de 15% ao mês, "sustentando" assim aqueles que parcelam as compras.
Ele concluiu dizendo que vale a pena olhar o resto do mundo e ver como é possível fazer uma migração para algo mais parecido com o que são os arranjos em outros países, mas "dentro do tempo, sem causar prejuízo".
"Na linha da estabilidade, a gente se move mais como transatlântico do que como jet ski", declarou.
Fonte: G1 - 24/07/2026
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