IA no mercado de trabalho pode reverter crise da dívida estudantil
< Voltar para notícias
55 pessoas já leram essa notícia  

IA no mercado de trabalho pode reverter crise da dívida estudantil

Publicado em 04/08/2026 , por Exame

Com inadimplência em alta no Brasil e EUA, IA desponta como solução para alinhar educação às reais demandas do mercado de trabalho

Nos EUA, empréstimos estudantis financiados pelo pagador de impostos (equivalente ao FIES) precisam garantir expectativa de retorno financeiro positivo ao aluno que faz o curso já a partir do dia 1 de julho de 2026.

Após 70 anos, as regras que tornam os cursos elegíveis para financiamento público mudam pela primeira vez.

Isso é consequência de um movimento estruturante feito pelo governo atual, que passa a atribuir a responsabilidade da operacionalização das dívidas estudantis ao Departamento do Tesouro, e não mais ao Departamento de Educação.

Com aproximadamente 43 milhões de pessoas com dívida pública estudantil, essas mudanças terão impactos significativos - inclusive eleitorais.

A nova lei exige que a instituição de ensino comprove que o aluno terá resultados financeiros favoráveis para que cursos sejam elegíveis a financiamento público.

De acordo com artigo do Wall Street Journal "New Student Loan Rules Are Poised to Amp Up Pressure on Colleges", essa regra tem o potencial de desacreditar mais de 3.200 programas educacionais nos Estados Unidos.

O normativo vem de encontro à realidade brutal e inconveniente: a dívida estudantil tornou-se uma ameaça iminente às contas públicas.

Nos EUA, ela representa mais de 1.8 trilhões de dólares, atrás apenas do financiamento imobiliário e de automóveis.

Por lá, 10% das dívidas estudantis públicas estavam inadimplentes em dezembro de 2025 – um número 10x acima das dívidas do setor privado.

No Brasil, os números são um pouco diferentes, mas não menos expressivos.

A dívida acumulada do programa de financiamento estudantil pressiona o orçamento federal e coloca em xeque a viabilidade da política pública, já tendo passado de R$120 bi - correspondentes a aproximadamente 1.6 milhões de contratos ativos insolventes.

Assim, quase 2 em cada 3 estudantes beneficiários do programa não conseguem pagar o que devem.

Segundo a Pesquisa de Inadimplência no Ensino Superior Privado (2025), a inadimplência ainda durante o curso acontece em cerca de 60% dos casos, por perda de emprego ou redução da renda.

Após formados, o panorama não é melhor e a baixa empregabilidade é a principal razão.

IA e empregabilidade

Outro fator complicador é a transformação digital do mercado de trabalho impulsionada pela IA, que vem deixando muitos de fora dos novos ganhos de produtividade da economia como um todo - o chamado "jobless boom".

Seja pela automação, pelo potencial de demissões massivas ou pela diminuição de contratações, a IA mudou estruturalmente o mundo do trabalho.

No entanto, a mesma tecnologia é aliada para proteger e avançar a produtividade humana.

Por meio de ferramentas de IA, é possível compreender a escassez de habilidades no mercado em tempo real e de forma dinâmica, possibilitando um mapeamento preciso de gaps entre a formação de estudantes e as habilidades necessárias na carreira por meio de uma requalificação contínua - de forma análoga a uma plataforma de mobilidade que calcula, de forma preditiva, as melhores rotas para o destino almejado.

Ao conectar as necessidades de mercado e diretrizes curriculares, a IA deixa de ser um fator de risco e passa a atuar como um motor de empregabilidade e de competitividade econômica. Isso é muito relevante - e não somente no mercado brasileiro.

Investimento em educação e propósito produtivo

De forma semelhante ao espírito da lei americana recém-editada, acreditamos que o retorno do investimento educacional deve ser positivo ao aluno.

A educação é o mais importante veículo para ascensão social, sob a condição de que o aluno não se endivide além de sua capacidade futura de renda.

Também vemos as plataformas de gig-economy como uma oportunidade única de contribuir para o avanço de seus colaboradores, dada a confiança já conquistada por elas na casa de cada brasileiro, na dimensão de trabalho e renda.

Dado o alcance e dinamismo do Brasil, acreditamos ter as melhores práticas para trocar com outros países que tentam endereçar a mesma questão: a produtividade humana em escala.

Questão não somente econômica, mas da mais profunda reflexão, levantada inclusive pelo Papa Leão XIV: onde fica a dignidade humana na ausência de um propósito produtivo?

Fonte: Exame Online - 04/08/2026

55 pessoas já leram essa notícia  

Notícias

Ver mais notícias

Perguntas e Respostas

Ver mais perguntas e respostas