IPCA: Inflação desacelera para 0,07% em julho com queda nos preços dos alimentos
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IPCA: Inflação desacelera para 0,07% em julho com queda nos preços dos alimentos

Publicado em 12/08/2026 , por G1

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No acumulado do ano, a inflação está em 3,44% e, nos 12 meses encerrados em julho, em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.

IPCA desacelera a 0,07% em julho

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando a alta havia sido de 0,16%.

No acumulado de 2026, a inflação está em 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.

  • Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece um objetivo de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.

O grupo Habitação teve a maior alta em julho, de 0,99%, puxado principalmente pelo aumento da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês, ante 1,53% em junho, e sozinha respondeu por 0,13 ponto percentual da inflação.

Já Alimentação e bebidas ajudou a segurar a inflação, com queda de 0,67%. Entre os demais grupos, os preços variaram de uma queda de 0,66% em Vestuário a uma alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais.

Veja o resultado dos grupos do IPCA

  • Alimentação e bebidas: -0,67%;
  • Habitação: 0,99%;
  • Artigos de residência: 0,07%;
  • Vestuário: -0,66%;
  • Transportes: 0,05%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,40%;
  • Despesas pessoais: 0,22%;
  • Educação: -0,03%;
  • Comunicação: 0,04%.

Alimentos mais baratos ajudam a segurar inflação

Os preços de alimentos e bebidas caíram 0,67% em julho, principalmente por causa da redução de 1,14% nos alimentos comprados para consumo em casa. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão:

  • tomate (-29,09%),
  • batata-inglesa (-19,59%),
  • cenoura (-14,41%)
  • ☕ café moído (-2,45%).

O tomate foi o produto que mais ajudou a reduzir a inflação no mês. Na outra ponta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas ficaram 1,20% mais caras.

Já quem comeu fora de casa enfrentou uma alta maior nos preços. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55% em julho, contra 0,15% em junho. O preço dos lanches aumentou 0,76%, enquanto o das refeições subiu 0,42%.

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco teve a maior alta de preços em julho, de 0,32%, principalmente por causa do aumento das passagens aéreas e da energia elétrica.

Belém teve a maior queda, de 0,45%, influenciada principalmente pela redução dos preços da gasolina e do açaí.

  • IPCA: Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em julho

Conta de luz pesa na inflação de julho

O grupo Habitação acelerou de uma alta de 0,63% em junho para 0,99% em julho, principalmente por causa do aumento da energia elétrica residencial, que passou de 1,53% para 3,09%.

A conta de luz foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual.

O resultado considera reajustes nas tarifas de energia em algumas cidades:

  • Em São Paulo, uma das concessionárias aumentou as tarifas em8,85%, a partir de 4 de julho;
  • Em Porto Alegre, o reajuste foi de14,89%, válido desde 19 de junho;
  • Em Curitiba, de19,55%, desde 24 de junho.

Além dos reajustes, a conta de luz continuou sendo influenciada pela bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,40%, refletindo reajustes aplicados em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. Já o gás encanado ficou 0,04% mais barato, devido a uma redução média de 2% nas tarifas no Rio de Janeiro.

Plano de saúde e passagens aéreas ficam mais caros

O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40% em julho, influenciado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, que ficaram 0,64% mais caros. O destaque foi o perfume, com alta de 1,04%.

Os planos de saúde também subiram, 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Já o grupo Transportes teve alta de 0,05%. As passagens aéreas subiram 11,67%, mas o resultado foi parcialmente compensado pela queda de 1,44% nos combustíveis.

O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o diesel, 1,22%, e o gás veicular, 0,08%.

Economistas veem espaço limitado para novos cortes de juros

Apesar de estar dentro da meta do BC (4,50%), a inflação acumulada em 12 meses (4,44%) ainda está acima do centro da meta, de 3%. Isso significa que o IPCA está dentro da faixa considerada aceitável pelo BC, mas ainda não está no nível que a autoridade monetária considera ideal.

  • Por que a inflação importa para os juros?A inflação é um dos principais indicadores observados pelo Banco Central para decidir se deve manter, aumentar ou reduzir a Selic. Quando os preços sobem de forma persistente e as expectativas ficam acima da meta, o BC tende a manter os juros elevados por mais tempo. Quando a inflação está sob controle e as expectativas melhoram, pode haver espaço para reduzir a taxa.

Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o IPCA de julho veio “levemente acima do esperado”, mas a diferença foi pequena, uma vez que o mercado projetava alta de 0,03%, contra os 0,07% registrados.

Por isso, ele não espera que o resultado altere significativamente a estratégia do Copom para conter os juros.

Já Joel Freitas, diretor e sócio da M7, avaliou que o cenário de inflação continua relativamente favorável, principalmente porque a taxa acumulada em 12 meses está próxima do teto da meta.

Ele ponderou, porém, que serviços como saúde, educação e alimentação fora de casa continuam pressionados pelo mercado de trabalho aquecido.

Para os próximos meses, Freitas espera uma inflação mais controlada, mas destaca que o comportamento dos alimentos e das tarifas de energia elétrica ainda pode alterar esse cenário.

Segundo ele, o fenômeno climático El Niño também pode representar um risco para os preços dos alimentos, já que mudanças nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produtividade das lavouras, atrasar colheitas e reduzir a oferta de produtos mais sensíveis às condições climáticas.

Mesmo com a desaceleração dos preços, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação aos juros. Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom afirmou que há “riscos elevados” para a inflação e que o cenário atual exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária.

Na semana passada, o BC reduziu a Selic de 14,50% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Para a próxima reunião, porém, o Comitê não indicou se continuará reduzindo os juros.

Segundo a ata, a intensidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos.

  • Os gastos públicos podem aumentar o consumo e dificultar a queda da inflação, além de gerar preocupação com a dívida do governo;
  • ️ O BC também monitora fatores externos, como a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, e climáticos, que podem encarecer produtos e se espalhar para outros preços.
  • Outro ponto de atenção são as expectativas:as projeções do mercado para os próximos anoscontinuam acima da meta, o que pode levar o BC a manter os juros altos por mais tempo.

Fonte: G1 - 11/08/2026

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