Nubank supera US$ 1 bi em lucro no 2º tri pela 1ª vez, mas inadimplência vai a 6,9%
Publicado em 14/08/2026 , por Exame
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O ROE da instituição financeira chega a 33%, segundo balanço divulgado nesta quinta, 13, enquanto provisões para perdas de crédito avançam
O Nubank registrou lucro líquido de US$ 1,06 bilhão no 2° trimestre de 2026, o primeiro resultado trimestral acima da marca de US$ 1 bilhão na história da instituição financeira. O lucro líquido representa alta de 49% em relação ao mesmo período de 2025 e de 17% na comparação com os primeiros três meses deste ano. No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido chegou a US$ 1,93 bilhão, avanço de 61,8% em um ano.
Na métrica ajustada, que adiciona ao resultado contábil as despesas com pagamentos baseados em ações (SBC), o Nubank acumulou US$ 2,15 bilhões no primeiro semestre, alta de 57% sobre os US$ 1,37 bilhão registrados nos seis primeiros meses de 2025. A diferença entre os números decorre justamente da despesa com remuneração baseada em ações, e não de um evento extraordinário específico.
Entre abril e junho, a rentabilidade da instituição financeira também avançou. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) ficou em 33% no segundo trimestre, ante 27,7% no primeiro semestre de 2025. No acumulado dos seis primeiros meses, o indicador ficou em 31,5%, alta de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho foi acompanhado por uma expansão da margem financeira. A margem financeira líquida de juros (NII) alcançou US$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, alta de 9% sobre o trimestre anterior, enquanto a margem líquida de juros (NIM) avançou 1,8 ponto percentual, para 22,9%. No primeiro semestre, o NII somou US$ 6,21 bilhões, crescimento de 57,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Nubank aumenta provisões e inadimplência avança
O avanço da margem ocorreu mesmo com o aumento das provisões para perdas de crédito. A despesa com perda de crédito esperada (ECL) chegou a US$ 1,48 bilhão no segundo trimestre, acima dos US$ 1,01 bilhão registrados um ano antes. No estoque, as provisões somavam US$ 6,64 bilhões em junho, alta de 32,3% desde dezembro e de 53,8% em 12 meses.
O NPL acima de 90 dias, que representa o índice de inadimplência acima dos 90 dias, subiu para 6,9% no segundo trimestre, avanço de 35 pontos-base em relação ao trimestre anterior. A companhia atribuiu a alta principalmente à migração sazonal de atrasos registrados no primeiro trimestre.
O indicador de atrasos entre 15 e 90 dias, porém, apresentou melhora. O NPL 15-90 caiu 16 pontos-base, para 4,8%, movimento que o Nubank também atribuiu em grande parte à sazonalidade. A administração destacou ainda que vem expandindo deliberadamente a atuação em segmentos de maior risco e maior retorno, o que ajuda a explicar a dinâmica do crédito.
Expansão do crédito e das receitas
Apesar da pressão sobre as perdas, a carteira continuou crescendo. O saldo de crédito chegou a US$ 39,4 bilhões em junho, alta de 5% no trimestre e de 37% em um ano, considerando a carteira total reportada pela companhia. Desse montante, cerca de US$ 26 bilhões estavam em cartões de crédito, US$ 10,3 bilhões em crédito sem garantia e US$ 3,1 bilhões em crédito com garantia.
As receitas de serviços também acompanharam a expansão. No primeiro semestre, as receitas de serviços e tarifas somaram US$ 1,45 bilhão, crescimento de 37% em relação aos seis primeiros meses de 2025. No segundo trimestre, o lucro bruto chegou a US$ 2,4 bilhões, alta de 43% em um ano e de 25% ante o trimestre anterior.
A expansão do crédito e das receitas veio acompanhada por investimentos maiores na operação. As despesas operacionais chegaram a US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, contra US$ 667 milhões um ano antes. As despesas gerais e administrativas quase dobraram, de US$ 341 milhões para US$ 599 milhões. O índice de eficiência ficou em 19,5%, acima dos 17,6% do primeiro trimestre, mas ainda abaixo dos 21,3% registrados no segundo trimestre de 2025.
Crescimento do número de clientes
O Nubank encerrou junho com 139 milhões de clientes globalmente, após adicionar cerca de 4 milhões no trimestre. No Brasil, eram quase 118 milhões, enquanto o México chegou a 15,8 milhões e a Colômbia superou 5 milhões. Os depósitos totais somaram US$ 45,3 bilhões, alta de 18% em um ano e de 6% no trimestre.
Em meio ao crescimento, a fintech também anunciou um programa de recompra de ações de até US$ 1 bilhão, sinalizando confiança na capacidade de geração de capital.
Para o fundador e CEO global, David Vélez, o resultado mostra que a tese que deu origem ao Nubank deixou de ser uma hipótese.
"Há treze anos, começamos com uma hipótese simples: um banco construído com base em tecnologia, sem agências físicas e sem sistemas legados para preservar, poderia atender centenas de milhões de pessoas melhor por uma fração do custo. Isso já não é mais uma hipótese e geramos mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido por trimestre", afirmou.
Fonte: Exame Online - 13/08/2026
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