Reclamações contra Casas Bahia sobem 65% neste ano, e queixas por entrega já superam todo 2025
Publicado em 19/08/2026 , por Folha Online
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As reclamações de consumidores contra as Casas Bahia registradas no Procon-SP (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor em São Paulo) cresceram 65% de janeiro a julho deste ano em relação ao mesmo período de 2025. O aumento ocorre em meio à crise financeira que levou o grupo a pedir recuperação judicial no domingo (16).
Foram 10.617 reclamações nos sete primeiros meses de 2026, contra 6.437 no mesmo período do ano passado, alta de 64,9%, segundo dados fornecidos pelo Procon-SP à Folha.
Procurada, a Casas Bahia afirmou que segue operando normalmente nas lojas físicas e no comércio eletrônico e que está adotando medidas para preservar a continuidade das operações. Segundo a companhia, as ações incluem garantir o abastecimento das lojas e o cumprimento dos pedidos realizados pelos clientes, com foco na continuidade do atendimento e na experiência do consumidor.
O principal motivo das queixas é a demora ou falta na entrega de produtos. Foram 3.672 reclamações sobre esse problema entre janeiro e julho deste ano, número que já supera em 13,5% as 3.234 queixas registradas pela mesma razão durante todo 2025.
Com os registros de agosto, que ainda é parcial, o número informado pelo Procon-SP chega a 3.858 reclamações relacionadas a não entrega ou demora na entrega em 2026.
Os dados históricos do Procon-SP mostram que as reclamações costumam aumentar ainda mais no segundo semestre, especialmente nos meses de novembro e dezembro, época de Black Friday e Natal. Em 2025, por exemplo, foram 1.231 registros em novembro e 1.723 em dezembro, o maior volume mensal da série fornecida pelo órgão.
No Reclame Aqui, a reputação das Casas Bahia passou de "Regular" para "Bom" entre junho e julho, segundo o histórico disponível na plataforma. Entre os principais problemas relatados pelos consumidores estão atraso na entrega, dificuldades para obter estorno, produto não recebido e defeitos.
Em reclamações publicadas nesta terça-feira (18), consumidores relatam problemas semelhantes aos apontados pelo Procon-SP.
Uma consumidora de Minas Gerais afirma ter comprado uma geladeira e um fogão por R$ 3.828, pagos via Pix. A entrega estava prevista para 5 de agosto, mas não ocorreu. Após sucessivos contatos sem solução, ela cancelou a compra no dia 13 e afirma que ainda não havia recebido o reembolso.
Em outra reclamação, de Brasília (DF), o consumidor afirma esperar há quase um mês pelo estorno de um produto que chegou danificado e foi devolvido no dia seguinte. Segundo ele, os atendentes abriram sucessivos chamados, mas o dinheiro ainda não havia retornado.
Também há relatos de demora para troca de produtos enviados incorretamente. Uma consumidora de Picos (PI) diz ter comprado um guarda-roupa e uma cômoda em março e, ao montar os móveis meses depois, descobriu que parte do guarda-roupa havia sido enviada na cor errada. Segundo ela, o pedido de troca foi feito em 7 de julho, mas a transportadora ainda não havia recolhido o produto até esta terça.
Nesta terça, a Folha visitou três lojas das Casas Bahia nas regiões central e sul de São Paulo. Funcionários ouvidos pela reportagem disseram que o movimento diminuiu bastante desde a semana passada, mesmo com promoções e queimas de estoque.
A aposentada Maria Pereira, 63, afirmou que soube do pedido de recuperação judicial pela imprensa, mas disse que a notícia não mudou sua disposição de comprar na rede.
"Gosto muito da Casas Bahia, tenho até cartão da loja. Só fico triste pelos funcionários demitidos, das lojas fechando. Mas de resto, desde que entreguem meu produto, eles que se resolvam lá", disse.
Na própria visita, porém, Maria enfrentou um problema relacionado ao cartão da loja. Ao chegar, perguntou quanto tinha disponível para gastar e recebeu a informação de que seriam R$ 4.000. Na hora de finalizar a compra, foi informada de que o limite disponível, na verdade, era de R$ 3.000.
O pedido de recuperação judicial, por si só, não altera os direitos do consumidor nem autoriza a empresa a deixar de cumprir suas obrigações, segundo especialistas ouvidos pela Folha.
Em caso de atraso na entrega, por exemplo, o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta, aceitar outro produto equivalente ou cancelar a compra e pedir a restituição do valor pago, conforme o Código de Defesa do Consumidor.
A orientação é guardar nota fiscal, comprovantes de pagamento, prazo de entrega e protocolos de atendimento. Se a empresa não resolver o problema, o consumidor pode procurar órgãos de defesa do consumidor ou a Justiça.
O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial à Justiça de São Paulo no domingo, com uma dívida declarada de R$ 17,3 bilhões. O pedido envolve dez empresas da holding e ainda precisa ser analisado pela Justiça.
A companhia afirmou que enfrenta dificuldades relacionadas ao aumento dos juros, à restrição de crédito, ao encarecimento do custo financeiro e à pressão sobre o consumo. No segundo trimestre, informou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, ante perda de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025.
Fonte: Folha Online - 18/08/2026
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