Carbono Oculto: MPSP denuncia 16 por adulteração de combustível e lavagem
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Carbono Oculto: MPSP denuncia 16 por adulteração de combustível e lavagem

Publicado em 27/08/2026 , por CNN Brasil

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Denúncia aponta organização criminosa que teria desviado metanol, adulterado combustíveis e ocultado recursos por meio de fintechs; investigação envolve mais de 350 alvos

O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPSP (Ministério Público de São Paulo), ofereceu denúncia contra 16 homens investigados por envolvimento em um esquema de adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraudes contra o consumidor, crimes fiscais e lavagem de dinheiro. A denúncia ocorre no âmbito da Operação Carbono Oculto.

Segundo o MP, os denunciados teriam integrado, promovido e financiado uma organização criminosa voltada ao desvio de metanol, à adulteração de combustíveis e à lavagem dos valores obtidos com as atividades ilícitas.

A investigação teve início no contexto da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025 por uma força-tarefa que reuniu cerca de 1.400 agentes de diferentes instituições. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Participaram da operação integrantes do MPSP, MPF (Ministério Público Federal), Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria de Estado da Fazenda, além de diferentes unidades do GAECO.

Esquema no setor de combustíveis

De acordo com as investigações, o grupo atuava em diferentes etapas da cadeia de produção e distribuição de combustíveis. Mais de 350 pessoas físicas e jurídicas foram identificadas como alvos da apuração. Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

A força-tarefa também identificou a atuação de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e conexões com outras organizações criminosas. Conforme o Ministério Público, os grupos mantinham vínculos permanentes ou eventuais para viabilizar atividades econômicas ilícitas e inserir recursos de origem criminosa na economia formal.

A estratégia, segundo os investigadores, permitia que o dinheiro obtido com as atividades ilegais circulasse por empresas e setores da economia regular, incluindo o mercado de combustíveis e o sistema financeiro.

Fintechs eram usadas para movimentar dinheiro

As investigações apontaram ainda que parte das movimentações financeiras atribuídas ao grupo passava por fintechs controladas pelo crime organizado. Segundo os responsáveis pela apuração, essas instituições tinham entre seus principais clientes empresas do setor de combustíveis.

A preferência pelas instituições de pagamento, em vez de bancos tradicionais, teria como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos. De acordo com o Ministério Público, as fintechs mantinham uma espécie de contabilidade paralela, que possibilitava transferências entre empresas e pessoas físicas sem a identificação dos beneficiários finais.

O mecanismo teria sido utilizado para ocultar a origem e o destino dos valores movimentados pelo grupo e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização e investigação.

A denúncia apresentada pelo GAECO ainda será analisada pela Justiça, que decidirá sobre o seu recebimento. Os 16 denunciados passam a responder ao processo caso a acusação seja recebida judicialmente.

Fonte: CNN Brasil - 27/08/2026

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