Gastos no primeiro ano de vida de um filho podem ultrapassar R$ 51 mil
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Gastos no primeiro ano de vida de um filho podem ultrapassar R$ 51 mil

Publicado em 16/10/2026 , por Exame

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Levantamento mostra três cenários distintos para itens como fraldas, produtos de higiene, roupas, plano de saúde, entre outros

O primeiro ano do bebê pode ser custoso. Afinal, fraldas, produtos de higiene, roupas, móveis e equipamentos e plano de saúde são necessários para um bom cuidado com a criança. Para isso, é preciso organização. “O planejamento financeiro é fundamental para que a chegada de um bebê aconteça com mais tranquilidade”, explica Daiane Alves, educadora financeira da Neon.

Tudo começa antes do parto com o conhecido enxoval, compra do berço e do carrinho, preparação do quarto e cálculos sobre quantas fraldas irá usar — spoiler, um bebê uma bastante fralda. Roupas também precisam ir sendo substituídas ao longo do tempo conforme o crescimento do bebê e produtos de higiene, que são utilizados diariamente, também precisam ir sendo repostos.

Mas produtos caros não significa, necessariamente, maior qualidade para a criança. É possível fazer os itens caberem dentro do orçamento com uma boa pesquisa de campo. Isso porque, durante a gravidez, muitas famílias recebem listas extensas de enxoval e acabam comprando produtos que serão pouco utilizados.

“É importante entender que um bebê não precisa de tudo o que o mercado oferece. O mais importante é garantir segurança, alimentação adequada, higiene e acompanhamento de saúde”, aponta Priscila Maia, enfermeira obstetra e especialista em amamentação.

É necessário planejamento

Para Alves, o primeiro passo é mapear os gastos previstos, separando as despesas iniciais, como berço, carrinho e bebê-conforto, dos custos recorrentes, como fraldas, alimentação, higiene e consultas médicas. Também é importante considerar possíveis mudanças na renda familiar, como a redução dos ganhos durante a licença-maternidade ou a necessidade de um dos responsáveis diminuir o ritmo de trabalho.

“A partir desse levantamento, os pais conseguem estimar quanto precisarão reservar por mês até o nascimento da criança e identificar onde podem fazer ajustes no orçamento”, diz.

Outra estratégia é pesquisar preços, comparar produtos, aproveitar itens de segunda mão em boas condições e aceitar doações de familiares e amigos, desde que os produtos sejam seguros. “Nem tudo precisa ser comprado novo, e muitos itens são utilizados por um período curto”, completa.

Além disso, é importante incluir uma reserva financeira para imprevistos. “A chegada de uma criança traz despesas que nem sempre podem ser antecipadas, e ter esse recurso disponível ajuda a evitar o uso do crédito para cobrir emergências”, destaca. Segundo ela, o objetivo não é comprar tudo o que existe no mercado para bebês, mas priorizar o que é essencial e organizar as finanças de acordo com a realidade de cada família.

Quanto custo o primeiro ano de um bebê?

Um levantamento da especialista Maia, a partir de referências de preços do mercado brasileiro em 2026, mostra que os gastos podem chegar a R$ 10.776,99 em um cenário econômico, R$ 23.582,17 em um padrão intermediário e R$ 51.775,36 em um cenário de luxo, considerando um cenário para um bebê saudável, e não incluindo parto, creche, babá, vacinação particular, medicamentos extraordinários ou tratamentos especializados.

Divididos por 12 meses, os totais equivalem a aproximadamente R$ 898, R$ 1.965 e R$ 4.315 mensais, respectivamente. “Essa divisão, entretanto, não significa que os gastos sejam iguais todos os meses. Parte importante do investimento ocorre antes do nascimento, especialmente com móveis e equipamentos”, pontua Maia.

Fraldas: um bebê pode utilizar cerca de 2.400 unidades no primeiro ano

Um bebê pode utilizar cerca de 2.400 fraldas descartáveis no primeiro ano de vida. Na simulação, o gasto anual varia de R$ 2.256 a R$ 3.768, ou de R$ 188 a R$ 314 por mês, dependendo da marca, do tamanho e do preço por unidade.

Maia recomenda evitar grandes estoques de tamanhos pequenos. “É muito comum a família comprar grandes quantidades de fraldas recém-nascido e tamanho P, mas alguns bebês crescem rapidamente e deixam de utilizá-las antes que o estoque termine. O ideal é comprar de forma gradual e acompanhar o desenvolvimento da criança.”

Roupas: um enxoval pode custar de R$ 1,5 mil a mais de R$ 10 mil

O crescimento acelerado dos bebês exige a troca frequente de roupas ao longo do primeiro ano. Para uma cesta de 76 peças e conjuntos, o investimento estimado é de R$ 1.476 no padrão econômico, R$ 4.360 no intermediário e R$ 10.120 no de luxo.

Segundo Maia, a quantidade e os tipos de peças devem considerar o clima, a frequência de lavagem e o desenvolvimento da criança. “Alguns bebês praticamente não utilizam roupas RN. Outros passam tão rapidamente pelos tamanhos que determinadas peças são usadas apenas algumas vezes. Comprar tudo antecipadamente pode resultar em desperdício.”

Produtos de higiene: gastos podem chegar a R$ 2,6 mil

Lenços umedecidos, algodão, sabonete líquido e cremes de barreira estão entre os produtos utilizados na higiene do bebê. O gasto anual estimado varia de R$ 688,50 no cenário econômico a R$ 2.600,07 no de luxo.

“A pele do recém-nascido é muito sensível. Não é necessário utilizar perfumes, talcos ou diversos cosméticos. Uma rotina simples, com produtos adequados, costuma ser suficiente”, explica Maia. Em algumas situações, água e algodão podem substituir os lenços umedecidos e ajudar a reduzir as despesas, comenta.

Móveis e equipamentos: do quarto básico ao enxoval de luxo

A montagem do ambiente do bebê costuma concentrar algumas das compras de maior valor. Berço, colchão, cômoda, carrinho, bebê-conforto, banheira, trocador, cadeira de alimentação e termômetro estão entre os itens considerados na simulação. O investimento total varia de R$ 2.080 no padrão econômico a R$ 11.780 no de luxo.

Para Maia, a segurança deve ser o principal critério de escolha. “O bebê-conforto precisa ser adequado à criança e atender aos requisitos de segurança. O berço deve ter colchão firme e compatível, sem travesseiros, protetores acolchoados ou objetos soltos. Esses cuidados são muito mais importantes do que o valor ou a aparência do produto.”

A especialista também orienta que é possível reduzir custos escolhendo móveis multifuncionais, evitando equipamentos duplicados e aproveitando itens em boas condições, desde que atendam às normas de segurança.

Fórmula infantil: despesa pode ultrapassar R$ 6 mil no primeiro ano

Considerando uma hipótese de consumo de 48 latas de fórmula infantil de 800 gramas ao longo de 12 meses, o gasto anual varia de R$ 3.167,52 a R$ 6.364,32. Mamadeiras, bicos e utensílios de higienização podem acrescentar de R$ 198,97 a R$ 932,97, elevando o custo total estimado para cerca de R$ 3,4 mil a R$ 7,3 mil.

“É importante ressaltar que as 48 latas representam uma hipótese de consumo para fins financeiros. A quantidade efetivamente necessária varia conforme a idade, o peso, o volume ingerido e a introdução alimentar. O tipo de fórmula deve ser adequado à faixa etária e às necessidades nutricionais da criança, com orientação profissional”, diz Maia.

Plano de saúde: mensalidades podem acrescentar mais de R$ 13 mil ao orçamento

O custo com assistência à saúde varia conforme a opção escolhida pela família. Na simulação, o cenário econômico considera o acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece consultas, vacinação e acompanhamento do desenvolvimento gratuitamente. No padrão intermediário, a mensalidade hipotética de R$ 350 representa R$ 4.200 por ano; no de luxo, o valor de R$ 1.100 mensais soma R$ 13.200.

Os preços dos planos variam conforme a operadora, a rede credenciada e as condições de contratação. As famílias também devem verificar as regras e os prazos para incluir o recém-nascido como dependente. As consultas pediátricas cobertas pelo plano não foram contabilizadas novamente na simulação, para evitar duplicidade de despesas.

Introdução alimentar

É a partir dos seis meses do bebê, em que ele começa a receber alimentos complementares ao leite materno ou à fórmula. Para sete meses de introdução alimentar, a simulação estima um gasto adicional de R$ 910 a R$ 3.010, considerando apenas a parcela dos alimentos destinada à criança.

“Um bebê pode receber alimentos semelhantes aos consumidos pela família, desde que sejam preparados e oferecidos de forma adequada à sua idade. Não é necessário comprar papinhas industrializadas ou produtos caros para garantir uma alimentação saudável”, afirma Maia. A recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar açúcar e ultraprocessados nos primeiros dois anos.

Outro gasto pode ser a consultoria para amamentação, que pode custar cerca de R$ 350, embora o valor varie conforme o profissional, a região e a necessidade de acompanhamento. Por fim, vacinas particulares também podem entrar na conta. Em uma simulação com duas doses de meningocócica B e três doses de hexavalente acelular e rotavírus pentavalente, o gasto seria de R$ 3.416.

Como evitar armadilhas

A pressão para deixar tudo pronto antes do nascimento, somada à facilidade de parcelar as compras, pode levar as famílias ao endividamento. Isso porque os pais vão gastando e não se atentam as parcelas que estão por vir. Para evitar esse risco, a especialista Alves recomenda avaliar o custo total dos produtos, e não apenas o valor das prestações, além de considerar as dívidas que já comprometem a renda.

“O cartão de crédito também pode ser um aliado quando utilizado com organização e quando a fatura é paga integralmente, mas recorrer ao pagamento mínimo ou ao crédito rotativo pode tornar uma despesa pontual em uma dívida difícil de administrar. A preparação financeira deve ajudar a receber a criança com mais segurança, e não criar uma dívida que pese justamente em um período de tantas mudanças”, diz.

Investir pode ajudar nesse momento

A renda fixa é uma alternativa para os pais se prepararem financeiramente para a chegada de um bebê, seja com planejamento de longo prazo, quanto, por exemplo, os pais querem ter um filho daqui a cinco anos, ou durante os nove meses de gestação. Entre as opções estão CDBs e Tesouro Selic, escolhidos de acordo com o prazo e a necessidade de resgatar o dinheiro.

O cuidado é verificar as condições de cada aplicação: alguns CDBs têm prazo de carência, enquanto títulos do Tesouro podem sofrer oscilações de preço se vendidos antes do vencimento. Para despesas próximas, o ideal é priorizar investimentos de baixo risco e com liquidez adequada, além de preservar uma reserva para imprevistos.

“É importante observar a liquidez, a tributação, as taxas e os riscos de cada produto. CDBs, por exemplo, podem contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), desde que sejam respeitados os limites e as condições da garantia”, comenta.

Segundo Alves, a principal preocupação deve ser preservar o dinheiro e garantir que ele esteja disponível quando as despesas chegarem. Investimentos sujeitos a grandes oscilações, como ações e ativos de renda variável, não são os mais indicados para recursos que serão necessários em tão pouco tempo.

“No fim das contas, o primeiro ano de vida de um bebê não tem um preço único. As despesas dependem da realidade financeira da família, das necessidades individuais da criança e das escolhas de consumo. E, embora o mercado ofereça produtos cada vez mais sofisticados, gastar mais não significa, necessariamente, cuidar melhor”, conclui Maia.

Fonte: Exame Online - 16/10/2026

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