‘Cartão de crédito faz uma função além do que deveria’, diz Campos Neto sobre rotativo
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‘Cartão de crédito faz uma função além do que deveria’, diz Campos Neto sobre rotativo

Publicado em 23/08/2023

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Presidente do Banco Central afirmou que solução para o problema de crédito no Brasil precisa considerar uma série de pontos para não gerar uma ruptura no mercado

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira, 22, que a solução para os problemas do crédito rotativo precisa considerar uma série de pontos para não gerar uma ruptura no mercado de crédito. Segundo o executivo, uma solução desorganizada pode gerar problemas para o consumo no país. Ele citou dados que mostram que os cartões de crédito representam 40% do consumo no Brasil, índice alto em relação a outros países. “Você pode concluir ou pelo menos especular que o cartão de crédito faz uma função além do que deveria”, afirmou. “A gente precisa achar uma solução que entenda que o parcelado sem juros é importante para o consumo brasileiro, não pode ter nenhuma ruptura”, disse, durante participação em evento do Santander em São Paulo. “Não tenho como dizer qual vai ser a solução, mas acho que a solução vai passar por esses pontos. Não fazer nada pode ser pior”, alertou. [GOOGLE_ADSENSE]

Um dos pontos em discussão são eventuais restrições ao parcelamento sem juros, que, de acordo com os bancos, é subsidiado pelos juros cobrados no crédito rotativo. Campos Neto afirmou que a inadimplência acima de 50% no rotativo mostra que “há algo de errado” com essa linha de crédito. Ele ainda disse que é preciso considerar que a inadimplência vista no cartão de crédito nos últimos meses também é fruto da rápida expansão da oferta, puxada majoritariamente por novos players de mercado. “O negócio de crédito é um negócio de assimetria de informação. Isso fez com que alguns desses entrantes novos da operação de cartões tivessem inadimplência alta com juros altos”, afirmou o presidente do BC. Ainda de acordo com Campos Neto, o cartão de crédito representa 20% do crédito no país e, nesse produto, só um terço das operações têm cobrança de juros, seja no rotativo, seja no parcelado. Com isso, cerca de 15% do crédito no Brasil não tem a incidência de juros, comentou.

Fonte: Jovem Pan - 22/08/2023

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