Apesar de reclamar de política da Petrobras, mercado se preocupa com cancelamento de leilão
Publicado em 18/03/2026 , por Folha Online
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A Petrobras ter cancelado os leilões públicos para a venda de diesel e gasolina causou um duplo descontentamento nas distribuidoras. Críticas da política de preços da estatal, elas consideram risco maior não haver o certame. As empresas do setor evitam, por enquanto, falar em desabastecimento, mas afirmam que tem de haver a venda.
Leilões têm sido a principal maneira de escoamento de combustível da Petrobras para o mercado doméstico. Para representantes do setor ouvidos pela coluna o mecanismo expõe uma distorção e se reflete no ágio sobre o preço de refinaria.
No leilão realizado na semana passada, o ágio por litro de diesel chegou a R$ 1,78. Em algumas cidades brasileiras, o preço passou dos R$ 2 por litro. Os compradores, na prática, pagam um valor superior ao preço oficial de venda nas refinarias. Segundo essas pessoas ligadas às empresas, isso eleva o custo final do combustível sem que a Petrobras altere formalmente sua tabela de preços.
Distribuidoras se queixam que leilões funcionam como uma paridade implícita com o mercado internacional, mas sem que a estatal tenha o ônus político de fazer um reajuste oficial. Mas para essas companhias é o caso de ruim com este leilão, mas pior sem ele.
A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizou a Petrobras a incluir nos leilões parte de seus estoques de segurança, devido ao conflito no Oriente Médio. Isso aumentou o volume disponível no mercado pelo leilão e a quantidade de combustível comercializado com ágio.
A estratégia da estatal faz com que ela alinhe receitas à paridade internacional sem precisar registrar um ajuste formal.
Fonte: Folha Online - 17/03/2026
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