Inadimplência, juros e as perspectivas para a economia
Publicado em 25/03/2026 , por Jovem Pan
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O Brasil registrou novo recorde de inadimplência. Em fevereiro, segundo a Serasa Experian, 81,7 milhões de CPFs estavam negativados, sendo que recordes de calotes nas dívidas vêm sendo registrados desde janeiro de 2025. Um dos motivos, sem dúvida, são os juros elevados, no maior patamar em 20 anos. Isso, a taxa básica. Os custos de empréstimos e financiamentos são muito mais altos. E, por aí, as perspectivas não são favoráveis. O Copom, na ata da última reunião, reforçou a cautela quanto aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação, não dando indicação quanto a futuros novos cortes, além do 0,25 que fez a Selic cair de 15% para 14,75% ao ano. Corte que não produziu qualquer alívio no custo do crédito.
A indefinição quanto aos rumos da política de juros e os impactos da guerra, além da própria inadimplência, que também atinge as empresas, têm deixado o sistema financeiro muito mais restritivo na concessão de crédito. O que dificulta a rolagem de dívidas e acaba empurrando as pessoas, com dificuldades financeiras, para linhas mais caras.
Tem mais: a guerra, ao impactar os preços, como de combustíveis e até alimentos, pesa no custo de vida, provocando mais aperto financeiro dos consumidores. E o impacto inflacionário já começa a ser contabilizado. O mercado, no relatório Focus, já elevou a projeção média do IPCA deste ano dos 3,95%, de um mês atrás, para 4,17%. Mesmo que venha uma pausa na guerra, o prognóstico não melhora muito, na medida em que infraestruturas de produção de petróleo e gás estão sendo comprometidas pelos ataques. A demora na normalização da oferta pode manter os preços mais altos, por mais que o governo e a Petrobras se esforcem para segurar os repasses das pressões externas.
Todo esse cenário pode manter o Copom mais cauteloso. Tanto que o mercado também está revendo as previsões para a taxa básica de juros no final deste ano – na média, já subiu para 12,5%. Há quem fale em 13%. Vale observar, porém, que esse contexto de aumento da inadimplência, por mais que tenha a justificativa dos juros, coincide com uma fase de melhora do mercado de trabalho, com queda do desemprego e aumento da renda média. Se pode até falar do custo de vida elevado, dificultando o pagamento em dia das dívidas. Mas também há problemas na gestão das finanças pessoais, nos critérios de consumo parcelado, uso exagerado dos cartões e até apostas nas Bets, sem muita preocupação em poupar. Tanto que, ainda segundo a Serasa, 34 milhões de consumidores permanecem inadimplentes há uma década.
Mas, enfim, os juros têm peso relevante e causam preocupação até quanto à saúde financeira das empresas, não só pelo aumento da inadimplência, mas também pelo avanço dos pedidos de recuperação judicial. As perspectivas de evolução da economia estão muito atreladas a todos esses fatores.
Fonte: Jovem Pan - 24/03/2026
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