Custo do transporte aumenta endividamento e inadimplência em São Paulo
Publicado em 03/04/2026 , por Folha Online
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A taxa de famílias endividadas e inadimplentes voltou a subir na capital paulista em março, segundo dados da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo). O porcentual de lares endividados passou de 70%, em fevereiro, para 71,1%, em março, enquanto a inadimplência avançou de 20,4% para 20,9% no mesmo período.
De acordo com a entidade, o reajuste na tarifa do transporte, que subiu 6% na virada do ano, e nos cursos educacionais, foram responsáveis por prejudicar o orçamento das famílias —mesmo com o mercado de trabalho em patamares ainda consolidados.
No quadro geral, a leitura é de que houve uma piora relativa nas condições econômicas das famílias, mas não o suficiente para gerar reflexos maiores na economia paulista.
Os níveis de endividamento e de inadimplência para março foram os maiores desde setembro do ano passado, quando a pesquisa atingiu o pico dos últimos 12 meses e depois caiu até a virada do ano. Naquele período, a taxa de famílias endividadas chegou a 72,7%, enquanto a inadimplência era de 22,7%.
Atualmente, 3,2 milhões de famílias estão com algum tipo de dívida na capital paulista e cerca de 940 mil famílias estão inadimplentes.
Nas pesquisas da entidade, as famílias com renda de até dez salários mínimos costumam ser as mais afetadas pelo comprometimento do orçamento, mas março trouxe uma inversão. Enquanto a inadimplência nessa faixa subiu de 25,2% para 25,6% em um mês, entre as famílias de renda superior o avanço foi mais expressivo: de 8,6% para 9,2%.
Entre os endividados, a variação foi de 73,5% para 74,5% nas famílias com renda abaixo de dez salários, e de 59,8% para 61,3% nas famílias com renda superior.
O cartão de crédito segue como a principal dívida assumida, com 79,3% dos respondentes indicando comprometimento na modalidade. Em seguida estão o financiamento imobiliário (16%), o crédito pessoal (12,3%) e o financiamento de veículos (10,5%).
As dívidas com crédito consignado chegaram a 5,8%, o maior patamar desde outubro de 2024, segundo a federação.
Houve queda no tempo médio de comprometimento com dívidas, que saiu de 7 meses para 6,8 meses. Na leitura da FecomercioSP, esse registro indica maior cautela das famílias com dívidas de longo prazo.
O comprometimento de renda também diminuiu e chegou a 26,7% em março, um dos menores níveis da série histórica da entidade, que realiza a pesquisa desde 2004.
"Esse registro pode indicar que as famílias que estão tomando crédito no curto prazo ainda o fazem em volume relativamente moderado, sem gerar grande pressão no orçamento doméstico", diz a federação em nota.
Para o levantamento de março, a FecomercioSP entrevistou 2,2 mil consumidores na capital paulista.
Fonte: Folha Online - 02/04/2026
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