Governo arrecadou R$ 8,2 bilhões com 'taxa das blusinhas' antes de decidir acabar com cobrança
Publicado em 14/05/2026 , por R7
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Especialistas ouvidos pelo R7 dizem que o fim do imposto pode diminuir a arrecadação em quase R$ 5 bilhões por ano
Em dois anos da vigência da “taxa das blusinhas”, o governo federal arrecadou R$ 8,2 bilhões com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A tarifa foi zerada nesta semana por decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Especialistas ouvidos pelo R7 dizem que o fim do imposto pode diminuir a arrecadação em quase R$ 5 bilhões por ano.
Em 21 meses de vigência da taxa (de agosto de 2024 a abril deste ano), a média mensal de arrecadação foi de R$ 393 milhões. Isso corresponde a 137% a mais do que a média mensal dos sete primeiros meses de 2024 (R$ 165,7 milhões), quando ainda não havia a cobrança.
Em 2024, a arrecadação do governo com o imposto de importação foi de R$ 2,8 bilhões (sendo a maior parte, R$ 1,6 bilhão, a partir de agosto). Em 2025, R$ 4,7 bilhões entraram nos cofres públicos. E, de janeiro a abril de 2026, a “taxa das blusinhas” rendeu R$ 1,8 bilhão à Receita Federal.
Em abril, último mês de apuração da taxa pela Receita, a arrecadação somou R$ 461,9 milhões — o quarto maior valor registrado pelo órgão desde o início da vigência da tarifa.
Apesar da alta na receita, o governo acabou com o imposto. A escolha, que ocorre a menos de seis meses das eleições, já vinha sendo estudada pelo governo, que entende que a medida gerou um impacto negativo na imagem do Executivo.
No centro da decisão, também havia a pressão de consumidores e plataformas de comércio internacionais, que vinham criticando a cobrança sobre produtos importados de baixo custo.
A revogação do imposto, no entanto, não foi bem vista por setores da indústria.
Em nota, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse que a medida cria uma vantagem para fabricantes estrangeiros em detrimento da produção nacional e que o impacto será maior sobre micro e pequenas empresas, o que poderá levar à perda de empregos.
Impostos estaduais continuam
Apesar da isenção do imposto federal, o ICMS estadual continua sendo cobrado nas operações, o que significa que as compras internacionais seguem tributadas, ainda que em menor proporção. A alíquota de ICMS para importações pelo Regime de Tributação Simplificada varia de 17% a 20% de um estado para outro.
Os estados que adotam a alíquota de 17% são:
- Espírito Santo;
- Minas Gerais;
- Mato Grosso do Sul;
- Mato Grosso;
- Pernambuco;
- Rio de Janeiro;
- Rio Grande do Sul;
- Santa Catarina;
- Tocantins; e
- Distrito Federal.
O Amapá trabalha com alíquota de 18% e, em janeiro deste ano, o Pará elevou a alíquota de 17% para 19%.
Os estados que cobram uma taxa de 20% são:
- Rio Grande do Norte;
Fonte: R7 - 14/05/2026
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