Governo tenta impedir que verba arrecadada por CVM, BC e Coaf fique com os próprios órgãos
Publicado em 11/06/2026 , por Folha Online
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que reconsidere a decisão que permitiu que verbas arrecadadas pelo Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) fiquem com os próprios órgãos.
A manifestação consta em recurso protocolado na noite desta terça-feira (9/6), obtido pela Folha. De acordo com a área jurídica do governo, "eventual imposição judicial de modelos específicos de estruturação administrativa, organizacional, de financiamento e de disponibilização integral de receitas próprias" dos três órgãos "interfere diretamente em escolhas alocativas constitucionalmente reservadas aos Poderes Executivo e Legislativo".
Inicialmente, o ministro Flávio Dino, que é relator de uma ação que debate o destino da taxa de fiscalização da CVM, havia decidido que todo o montante arrecadado pelo órgão que regula o mercado de capitais brasileiro deve ficar para uso próprio. Hoje, essa receita é transferida à União, que elabora o orçamento dos órgãos anualmente.
Na decisão do início de maio, o ministro falou em um "quadro inequívoco de atrofia institucional e asfixia orçamentária" da CVM, usando como exemplo o escândalo do Banco Master, ao argumentar que a fraude financeira teria sido favorecida pela falta de estrutura dos órgãos reguladores. Um primeiro recurso já havia sido apresentado pelo governo, mas ainda não houve análise.
Posteriormente, no fim de maio, ele assinou uma nova decisão, afirmando que havia urgência na reestruturação dos órgãos de controle do mercado financeiro e de capitais, citando BC e Coaf e "outros", o que preocupou o governo.
"Não se trata apenas de referência ao Banco Central ou ao Coaf. O que causa perplexidade é a naturalidade com que o despacho agravado cogita projetar para outros órgãos da administração pública federal a mesma lógica estrutural desenvolvida nestes autos, embora reconheça expressamente que tais entidades sequer integram a relação processual", escreveu a AGU no recurso.
O governo também pede, na ação, que a CVM fique impedida de fazer manifestações próprias no processo. A autarquia chegou a enviar ao Supremo um plano de reestruturação com base na decisão inicial de Dino, contrariando o entendimento do governo.
O movimento irritou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que disse em entrevista ao jornal Valor Econômico que estava "desautorizando" qualquer manifestação da autarquia, que é vinculada à equipe econômica.
O Executivo defende que tem tomado medidas para reestruturar a CVM, bem como que a decisão de Flávio Dino é uma interferência em atribuições que cabem ao Poder Executivo e ao Legislativo na elaboração do Orçamento da União.
"Se alegadas insuficiências de estrutura, pessoal, tecnologia ou capacidade operacional autorizam a intervenção estrutural do PoderJudiciário, não há razão jurídica para que o raciocínio se limite à CVM", disse a AGU na peça. "Afinal, dificuldades dessa natureza estão presentes, em maior ou menor grau, em inúmeros órgãos —não só do poder Executivo,como também do próprio poder Judiciário, e possivelmente em todas as esferas federativas", defendeu.
Hoje, a CVM é presidida por Otto Lobo, após ter sido aprovado pelo Senado em maio. Na última semana, ele se reuniu com Dario Durigan em Brasília.
Fonte: Folha Online - 10/06/2026
Notícias relacionadas
- 11/06/2026 'Vacina do Butantan contra dengue seria aprovada em qualquer lugar do mundo', diz ex-diretor da Anvisa
- 11/06/2026 Governo pode vetar ou recorrer ao STF contra renegociação de dívidas rurais, diz ministro
- 11/06/2026 'Pauta-bomba': Senado aprova renegociação de dívidas de grandes produtores rurais
- 11/06/2026 Banco Central atestou ilegalidade de cobranças do Itaú, mas não adotou qualquer medida para punir o banco
- 11/06/2026 Senado aprova uso do Fundo do Pré-Sal para dívidas do agro
- 11/06/2026 Governo tenta impedir que verba arrecadada por CVM, BC e Coaf fique com os próprios órgãos
- 11/06/2026 Juiz aprova acordo de US$ 38 bi de indenização de Visa e Mastercard a comerciantes nos EUA
- 11/06/2026 TCU aprova contas de 2025 do governo Lula, mas faz alertas sobre dívida pública e uso de fundos
- 11/06/2026 Inflação nos EUA desacelera em maio, mas atinge 4,2% em 12 meses, maior patamar desde 2023
- 11/06/2026 Copa e bets elevam risco de fraudes via Pix e colocam empresas em alerta
Notícias
- 11/06/2026 Quaest: 10% dizem ter sido beneficiados pelo Novo Desenrola; endividamento atinge 69% da população
- Juiz aprova acordo de US$ 38 bi de indenização de Visa e Mastercard a comerciantes nos EUA
- Banco Central atestou ilegalidade de cobranças do Itaú, mas não adotou qualquer medida para punir o banco
- Copa e bets elevam risco de fraudes via Pix e colocam empresas em alerta
- Procon-SP lança nova pesquisa virtual sobre hábitos de consumo e lazer no inverno
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
