Inadimplência do consignado privado sobe e chega a 7,9% em maio, diz BC
Publicado em 02/07/2026 , por Folha Online
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O BC (Banco Central) informou nesta quarta-feira (1º) que a inadimplência no crédito consignado ao setor privado subiu 0,4 ponto percentual em maio e chegou a 7,9%. Nesta semana, essa linha passou a contar com a garantia do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
O índice é o maior desde fevereiro de 2025, quando a taxa de inadimplência na linha foi de 8%. Na última segunda-feira (29), o governo anunciou a possibilidade de uso do FGTS na tomada de empréstimo do crédito consignado no âmbito do programa Crédito do Trabalhador — a medida era esperada desde o ano passado, quando o programa foi criado.
O chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou em entrevista coletiva que o crescimento de 0,4 ponto percentual na inadimplência em um mês é "algo significativo". Segundo ele, a alta na inadimplência do consignado privado explica o índice geral das dívidas não pagas em maio, que chegou a 7,6%.
De acordo com Rocha, é possível que a liberação do FGTS como garantia reduza, no futuro, os índices de inadimplência e as taxas de juros, mas isso só poderá ser observado ao longo dos próximos meses. Segundo as estatísticas do BC, o juro médio em maio foi de 54,1% ao ano, queda de 2 pontos percentuais em relação a abril. Com o uso das garantias, a taxa máxima de juros foi limitada a 1,99% ao mês no âmbito do programa.
As concessões do consignado privado voltaram a cair em maio, totalizando R$ 7,6 bilhões em maio, ante R$ 9,9 bilhões em abril. Segundo o BC, a queda é natural, já que houve um recorde de concessões de R$ 10,8 bilhões em março, o maior patamar da série histórica, iniciada em 2011.
Mesmo com a queda nas concessões, o saldo geral no consignado privado subiu 4,8% em maio, totalizando R$ 109,2 bilhões.
Rocha explicou na coletiva que ainda não é possível dizer quais os efeitos do Desenrola para os inadimplentes. Enquanto algumas linhas atingidas pelo programa registraram alta na inadimplência, outras apontaram para uma queda.
A inadimplência no cartão de crédito rotativo, por exemplo, chegou a 63%, alta de 2,4 pontos percentuais em relação a abril. A inadimplência do cartão de crédito parcelado, por sua vez, registrou queda de 0,2 ponto percentual, chegando a 12,5% em maio.
O BC também disse que houve uma nova queda no consignado do INSS. Em maio, R$ 3,7 bilhões foram ofertados nessa linha, queda de 25,4% em relação a abril, quando o total marcou R$ 4,9 bilhões.
Rocha avalia que uma possível explicação pode ser o aperto de regras na concessão desse crédito, principalmente após um processo aberto no TCU (Tribunal de Contas da União), que identificou falhas de controle por parte do INSS.
Fonte: Folha Online - 01/07/2026
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