Setor de alimentação volta a pressionar menos a inflação em SP
Publicado em 03/07/2026 , por Folha Online
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Os alimentos pararam de pressionar a inflação. No mês passado, a evolução da taxa de alimentação foi de 0,13%, a menor desde janeiro deste ano. Apesar disso, a inflação acumulada no primeiro semestre do ano é de 4% nesse setor, acima do índice médio, que ficou em 2,1%.
Os dados são da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e se referem à cidade de São Paulo. A menor pressão dos alimentos fica visível na lista das maiores altas divulgadas semanalmente pela instituição. Na média do mês passado, das dez principais elevações de preços, apenas quatro eram de produtos relacionados à alimentação. Já entre as 20 maiores quedas, 12 são do grupo de alimentos.
Vários produtos de peso no dia a dia do consumidor já vinham segurando a taxa, mostrando queda de preços. Entre eles estão café, óleo de soja, açúcar e arroz. Em junho, outros entraram nessa lista: produtos "in natura", como tomate, e carnes.
Passado o período de queda de produtividade e de menor oferta, o tomate, que acumula 70,5% de alta de janeiro a junho, teve retração de 2,5% no mês passado. Batata, cebola e alface, que também vinham com forte pressão no acumulado do ano, já sobem menos.
A queda de preços vem também das carnes, principalmente da suína. Com exportações aceleradas, o setor aumentou a produção, mas a oferta está acima da demanda. Com isso, os preços caem 1,7% em junho e acumulam retração de 8% no semestre. As carnes bovina e de aves ficaram estáveis no mês passado.
O cenário para a proteína animal, no entanto, é bastante incerto no segundo semestre, devido à redução de importação de carne bovina pela China e das restrições impostas pela União Europeia, a partir de setembro. Os preços da arroba caíram 4% no mês passado no campo.
Outro fator que deve impactar o setor é o El Niño. Pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) apontam vários pontos de atenção. Para bovinos de corte, os efeitos do El Niño afetam a qualidade das pastagens, a disponibilidade de água, o estresse térmico e o aumento dos custos de suplementação alimentar.
Na produção leiteira, haverá aumento de custos e da pressão térmica dos animais. Para as cadeias de suínos e de aves, as temperaturas elevadas reduzem o desempenho produtivo e elevam custos.
O excesso de chuva em algumas áreas, como no Sul, e a falta dela em outras, como no Nordeste, vão afetar os setores de grãos e de produtos "in natura" de formas diferentes, dependendo da região produtiva.
Tudo isso deve influenciar a taxa de inflação do segundo semestre.
Ano desafiador As perspectivas para o agronegócio brasileiro no ciclo 2026/27 serão marcadas por um ambiente desafiador, diante da combinação de riscos climáticos, custos elevados de produção, preços das commodities e incertezas no cenário internacional, segundo o relatório Visão Agro do Itaú BBA.
Ano desafiador 2 A preservação da liquidez terá um papel central. Mais do que buscar ganhos de produtividade, será fundamental proteger margens, equilibrar o fluxo de caixa e garantir flexibilidade financeira, segundo Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do banco.
Fonte: Folha Online - 02/07/2026
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