Governo pode aprovar mistura de 32% de etanol na gasolina nesta semana; entenda
Publicado em 07/07/2026 , por R7
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Conselho Nacional de Política Energética vai se reunir nesta quarta-feira (8) para decidir sobre a mudança proposta pelo Executivo
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) se reúne nesta quarta-feira (8), após adiamento, para decidir sobre a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, o chamado E32.
O governo federal propôs elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, para ajudar a reduzir o preço final do combustível ao consumidor e diminuir a dependência de importações, além do menor impacto ao meio ambiente.
Segundo estimativa do Ministério de Minas e Energia, a medida tem potencial de reduzir em 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina, o que pode zerar a dependência externa da importação de combustível.
Mesmo com o fim dos conflitos no Estreito de Ormuz, que prejudicaram a importação de petróleo, após acordo entre Irã e Estados Unidos, o governo defende a política de ampliação do biocombustível.
Se for aprovado pelo CNPE, será o segundo aumento consecutivo do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina.
Em junho do ano passado, o percentual passou de 27% para 30%, após testes conduzidos pelo governo e pelo setor indicarem a viabilidade técnica da ampliação da mistura.
O assunto reacendeu o debate sobre os impactos da medida para consumidores, empresas e para a economia brasileira. Para Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário, a mudança é polêmica.
"Do ponto de vista do governo, a ideia é usar mais etanol produzido no Brasil e menos gasolina importada. O governo diz que isso pode reduzir a necessidade de importação em cerca de 500 milhões de litros por mês, fortalecer a produção nacional e dar mais segurança energética ao país", afirma.
Segundo ele, para o setor sucroalcooleiro e para parte do agro, é uma boa notícia. "Aumenta a demanda por etanol, gera mercado e reduz dependência externa", avalia.
"Para o consumidor, a pergunta é outra: isso vai baratear de verdade ou só vai fazer o carro render menos?", destaca Tonegutti.
Ele explica que, para chegar aos 30%, o governo federal organizou uma bateria de testes realizados ao longo de 2025 para demonstrar a viabilidade do aumento, o que não será feito desta vez. Tonegutti alerta que a mudança pode impactar os motores dos automóveis.
"Não dá para dizer que todo motor vai quebrar. Isso seria alarmismo. Mas também não dá para dizer que não existe risco nenhum. Mais etanol na gasolina significa menor poder energético por litro. Então o carro pode rodar um pouco menos com a mesma quantidade de combustível", acrescenta.
Ele alerta que a preocupação é maior em motos, carros antigos, importados e veículos que não foram projetados para uma mistura tão alta.
Para Tonegutti, o consumidor pode esperar sinais de alívio, mas ainda com cautela.
"A Selic começou a cair. O petróleo deu uma ajuda. Isso é positivo. Mas o consumidor só vai sentir melhora real quando isso aparecer em três lugares: crédito menos caro, combustível com bom custo por quilômetro e inflação mais comportada no supermercado e nos serviços. A grande pergunta é: vai sobrar mais dinheiro no fim do mês ou não? Porque, para o consumidor, no final, é isso que importa", conclui.
Fonte: R7 - 07/07/2026
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