'Percebi que era golpe', diz idosa que evitou prejuízo de R$ 16 mil e se inscreveu em curso para não cair em fraudes virtuais
Publicado em 31/07/2026 , por R7
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Nilza Ferreira, de 65 anos, recebeu mensagem por celular, no dia do aniversário, falando que ganharia presente se pagasse um frete
Nilza Ferreira, de 65 anos, quase teve um prejuízo de R$ 16 mil após uma tentativa de golpe por uma mensagem que chegou no celular da idosa. Após conseguir cancelar a compra efetuada pelos criminosos, ela decidiu se matricular em um curso gratuito que ensina como usar aplicativos e evitar golpes virtuais.
A idosa, que mora em Belo Horizonte, conta que no dia do aniversário recebeu uma mensagem pelo celular falando que ela receberia a encomenda de um doce. No entanto, para receber o presente, ela precisaria pagar o frete, no valor de R$ 5.
Como era dia de celebração, Nilza pensou que alguém pudesse ter mandando o doce e concordou em fazer o pagamento. Um motoqueiro foi até a casa dela para entregar a encomenda e usou uma maquininha de cartão onde ela efetuou o pagamento do suposto frete.
“Ele passou muito além do que era o valor do frete. Só que eu fiquei meio desconfiada, aí percebi que era golpe, corri no banco e consegui cancelar”, conta a aposentada.
Segundo Nilza, o suspeito passou cerca de R$ 16 mil no cartão de crédito dela. Após o ocorrido, ela ficou com medo de responder outras mensagens no celular e decidiu se matricular em um curso da Prefeitura, que ensina como evitar golpes e aumenta a autonomia das pessoas com o uso dos aparelhos.
Maior autonomia digital
A história de Nilza se repete entre muitos brasileiros que cresceram em uma época distante da realidade dos smartphones e dos serviços digitais.
Aos 69 anos, Marlene Rosa de Lima também buscou o curso para conquistar mais independência nas tarefas do cotidiano. “É muita informação, aí você fica com medo de clicar em uma coisa e apagar tudo”, diz a aposentada.
“Aprendendo a Usar Celular e Aplicativos”, oferecido pelo Programa de Inclusão Digital da Prefeitura de Belo Horizonte, ajuda os alunos a utilizar a tecnologia com mais autonomia e, principalmente, segurança. O objetivo é resolver atividades simples, como acessar aplicativos e serviços, sem precisar recorrer à ajuda de familiares ou amigos.
Nas salas de aula, as necessidades são diversas. Enquanto alguns alunos aprendem desde funções básicas, como ligar e desbloquear o celular, outros querem baixar aplicativos de transporte, pedir refeições por plataformas digitais, acessar documentos públicos ou utilizar serviços bancários. O aprendizado acontece de forma prática, respeitando o ritmo de cada participante.
Segundo a professora Wanessa Maria dos Santos, mais do que ensinar a usar aplicativos, o curso busca fortalecer a autonomia dos alunos e prepará-los para enfrentar os desafios do ambiente digital.
“Normalmente eles têm muitos problemas para mandar uma mensagem, tirar uma foto, atender uma ligação, pedir uma comida ou carro por aplicativo. Às vezes não conseguem ir na casa de um parente por não saber pedir o transporte pelo celular”, conta a professora.
Wanessa explica que as aulas também incluem orientações para reconhecer tentativas de golpes e evitar fraudes. “Não clicar em links desconhecidos, não acreditar em qualquer coisa como ‘banco me ligou falando que tem saldo a mais na conta’. Nós damos dicas de como evitar cair em golpes e mostramos também os golpes atuais que estão no mercado, para caso aconteça com alguns deles já vão saber que não é verdade”
O curso, que já emitiu mais de 740 certificados, é totalmente gratuito e está com as inscrições abertas. Interessadas podem fazer o cadastro de três formas:
- Inscrição pelo WhatsApp (31) 98888-3238.
- Por meio da Plataforma EaD da Prefeitura, no endereço: https://ead.pbh.gov.br.
- Se optar por fazer a inscrição presencialmente, basta comparecer à Unidade de Inclusão Digital da Prodabel, que fica na rua José Clemente Pereira, 440, no bairro Ipiranga, em BH. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
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População envelhecendo
A procura por esse tipo de formação acompanha uma transformação demográfica vivida pelo país. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, mostram que a população brasileira está envelhecendo.
Entre 2012 e 2025, a participação de pessoas com menos de 30 anos caiu de 49,9% para 41,4% da população, uma redução de mais de 10 milhões de pessoas. No mesmo período, a proporção de idosos passou de 11,3% para 16,6%, evidenciando o crescimento desse grupo e reforçando a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento com qualidade de vida.
Para quem passou décadas trabalhando, criando filhos e construindo histórias, aprender a navegar pelo universo digital representa mais do que dominar um aparelho celular. É a oportunidade de manter a autonomia, fortalecer vínculos, acessar direitos e participar de uma sociedade cada vez mais conectada, com confiança e segurança.
Prefeitura de Belo Horizonte
Fonte: R7 - 31/07/2026
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