Apesar de queda na fila no INSS, pessoas relatam espera de até 8 meses por resposta a pedido de benefício
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Apesar de queda na fila no INSS, pessoas relatam espera de até 8 meses por resposta a pedido de benefício

Publicado em 20/08/2026 , por G1

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g1 ouviu relatos de pessoas que aguardam por resposta a pedido de aposentadoria e por resultado de perícia médica. Volume de requerimentos rejeitados cresceu 70% em 2026.

A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem recuando e atingiu o menor patamar em 21 meses, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

Apesar da redução, pessoas ouvidas pelo g1 relatam uma espera de até oito meses por uma resposta a pedidos de benefício. E dizem enfrentar dificuldades durante o processo.

Dados do governo mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho, o que representa, segundo a Previdência Social, uma redução de 74% desde o início do ano.

A queda ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que pretende zerar a fila ainda em 2026.

O g1 entrevistou pessoas que aguardam há meses por uma resposta, tiveram pedidos negados ou enfrentaram dificuldades durante as perícias médicas. Conheça alguns relatos nesta reportagem:

Motorista de app enquanto aposentadoria não sai

José Flávio Costa, 58 anos, aguarda há cerca de oito meses uma resposta do INSS ao pedido de aposentadoria feito em 24 de novembro de 2025.

Enquanto espera, trabalha como motorista de aplicativo para manter as despesas da casa em dia e pagar o apartamento que financiou.

Ele afirma que começou a trabalhar ainda na infância, e passou 27 anos trabalhando como motorista de ônibus. “Um trabalho exaustivo, muito cansativo”, afirma.

Trabalhando com aplicativo, José Flávio afirma que chega a ficar até 13 horas na rua para tentar atingir a meta de renda. “É muito desgastante", complementa.

Depois de mais de 50 anos de trabalho, José lamenta o fato de estar enfrentando dificuldade para obter a aposentadoria.

Erika aguarda benefício enquanto espera cirurgia

Cozinheira em um resort na cidade de Ubatuba (SP), Erika Antônia Bonifácio, 38 anos, está sem receber o benefício do INSS e sem salário enquanto aguarda, há cerca de seis meses, uma cirurgia na coluna pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os problemas físicos, afirma Erika, começaram há cerca de cinco anos. Em fevereiro do ano passado, a cozinheira avaliou não ter mais condições de continuar trabalhando. Ela chegou a receber o benefício por incapacidade temporária entre março e julho de 2025.

No entanto, depois desses pagamentos, a continuidade do benefício foi negada após a realização de uma perícia do INSS.

O caso foi levado à Justiça, que reconheceu a incapacidade laboral. O INSS, então, voltou a pagar o benefício até maio deste ano, mas, após uma reavaliação em julho, o pagamento foi encerrado novamente.

Erika trabalha desde os 16 anos, mas hoje afirma depender financeiramente do marido. O filho, de 11 anos, também ajuda nas tarefas domésticas que ela tem dificuldade para fazer.

Para Erika, o benefício é necessário não apenas para garantir a renda da família, mas para conseguir continuar o tratamento enquanto não pode voltar ao trabalho.

Fonte: G1 - 20/08/2026

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