Mais de 40% das operações de consignado CLT são de renda de até dois salários
Publicado em 20/08/2026 , por Folha Online
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O novo consignado privado possui mais de 40% das suas operações concentradas em trabalhadores que ganham até dois salários mínimos, em um movimento que aponta para a necessidade de cautela das instituições financeiras na concessão desse crédito, que já tem uma taxa de inadimplência de 8,6%.
Os dados são de estudo apresentado no evento "Crédito do Trabalhador - O que aprendemos e qual o futuro do consignado após um ano de operação", realizado no dia 14 pela empresa de soluções de crédito TransUnion e pela consultoria Deloitte.
De acordo com o levantamento, os trabalhadores que ganham até um salário respondem por 12% das operações da modalidade, lançada no ano passado, e a renda entre um a dois salários, por 28,9%, segundo dados levantados junto ao Banco Central.
A faixa de dois a três salários responde por 21,2% das operações, e a de três a cinco salários, por 20,2%. Os trabalhadores que ganham acima de cinco salários são apenas 17,7% do total das operações, mostram os números.
A pesquisa aponta que o tíquete médio emprestado por quem ganha entre dois e três salários é o maior, de R$ 19.574. Em segundo lugar, aparecem os trabalhadores com renda entre três e cinco salários, com R$ 13.741 emprestados, em média.
O levantamento registra ainda que a taxa média de juros subiu, de 53,3% ao ano para 56,7% ao ano, enquanto o prazo médio dos empréstimos do novo consignado privado diminuiu de 40 meses, em 2025, para 35 meses neste ano.
"O Brasil está com taxa de juros muito alta já há bastante tempo, e o número de negativados é de quase 90 milhões de pessoas. Essa grande massa acaba usando o consignado privado para reduzir o custo das dívidas ou direcionar para consumo", diz Ricardo Salama, CRO (diretor de Receita) da TransUnion Brasil.
Segundo dados de junho do Banco Central, há R$ 113,3 bilhões emprestados no consignado a trabalhadores do setor privado, um salto de 143% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O estudo aponta que 10 milhões de trabalhadores já tomaram o crédito consignado privado, para 40 milhões de trabalhadores com carteira assinada existentes no Brasil.
Para Salama, esse mercado continuará em crescimento. "Com a taxa de juros alta, a população está cada vez mais se endividando, e toma o consignado privado como alternativa. Além disso, muitas instituições financeiras estão entrando na concorrência por esse crédito", afirma.
Hoje, já há quase 150 instituições financeiras cadastradas para operar o consignado privado, segundo André Sanches, diretor de risco de crédito e prevenção a fraudes da Creditas, que participou do evento.
O estudo informa também que as micro, pequenas e médias empresas representam juntas 74,7% das solicitações de crédito no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
E quanto menor o porte, maior a inadimplência dos trabalhadores: as microempresas possuem inadimplência de 10%, as pequenas de 8,3%, as médias de 6,4% e as grandes de 2%.
"A maior parte dos trabalhadores está nas empresas pequenas e médias, que têm uma volatilidade muito maior de abertura e fechamento do que uma empresa grande", diz Salama.
Fonte: Folha Online - 19/08/2026
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