Com emprego em alta, Brasil registra ocupação e inadimplência recordes
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Com emprego em alta, Brasil registra ocupação e inadimplência recordes

Publicado em 30/09/2026 , por G1

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País tem 103,5 milhões de ocupados, enquanto inadimplência nas operações de crédito chega a 5%. Economistas veem sinais de desaceleração e espaço para novos cortes de juros.

O Brasil continua tendo um mercado de trabalho aquecido, com a taxa de desemprego nas mínimas da série histórica e o rendimento em alta. Ainda assim, as famílias convivem com o orçamento apertado e o aumento do endividamento.

O contraste aparece em dois indicadores divulgados nesta terça-feira (29). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, com recorde na população ocupada: 103 milhões de pessoas.

Ao mesmo tempo, dados do Banco Central (BC) mostram que a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu para 5% em agosto. É o maior patamar desde o início da série histórica, em março de 2011.

Para economistas, o mercado de trabalho tem ajudado a sustentar a renda e o consumo, mas a manutenção dos juros altos por tanto tempo empurra a economia na direção oposta: desacelera a atividade e, com o crédito mais caro, contribui para o aumento da inadimplência.

"A taxa de desemprego segue baixa e estável, mas o ritmo de criação de vagas perdeu força. Além disso, a sequência de quedas da massa salarial merece acompanhamento mais próximo, por ser um cenário menos favorável para o consumo das famílias", afirma o economista do ASA Investimentos, Leonardo Costa.

O IBGE também mostrou que o crescimento recente da ocupação ficou concentrado em setores específicos, como construção e indústria, enquanto os demais ficaram estáveis.

Para a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, essa combinação entre o desemprego baixo e um crescimento concentrado em menos setores indica que o mercado de trabalho começa a perder força.

Veja abaixo os principais dados sobre emprego e inadimplência:

Segundo o IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, queda de 0,3 ponto percentual (p.p.) tanto em relação ao trimestre encerrado em maio quanto ao mesmo período de 2025. Nos dois casos, a taxa era de 5,6%.

Ao todo, o Brasil tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas no período.

A população ocupada, por sua vez, atingiu 103,5 milhões de pessoas, o maior nível da série histórica. O número representa alta de 0,8% no trimestre (mais 774 mil pessoas) e de 1% no ano (mais 1,1 milhão).

O nível de ocupação, que representa o percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas, foi de 58,9%. O indicador avançou 0,3 p.p. em relação ao trimestre anterior (58,6%) e ficou estável na comparação anual (58,8%).

Veja os principais destaques da pesquisa:

  • Taxa de desocupação: 5,3%
  • População desocupada: 5,8 milhões de pessoas
  • População ocupada: 103,5 milhões
  • População fora da força de trabalho: 66,4 milhões
  • População desalentada: 2,4 milhões
  • Empregados com carteira assinada (sem incluir trabalhadores domésticos): 39,5 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,7 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões

Segundo o BC, a taxa média de inadimplência nas operações de crédito subiu de 4,9% em julho para 5% em agosto, o maior patamar desde o início da série histórica da instituição, em março de 2011.

O indicador de inadimplência do Banco Central considera operações de crédito com mais de 90 dias de atraso, tanto de pessoas físicas quanto de empresas.

  • Entre as pessoas físicas, a inadimplência subiu de 5,8% em julho para 6% em agosto, o maior patamar da série histórica.
  • Já entre as empresas, a inadimplência ficou estável em 3,3% no mês passado, o maior valor desde outubro de 2017 (3,4%).

Fonte: G1 - 29/09/2026

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