Pagamento com débito e crédito cresce nos ônibus de São Paulo, mas ainda é limitado
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Pagamento com débito e crédito cresce nos ônibus de São Paulo, mas ainda é limitado

Publicado em 06/10/2026 , por Folha Online

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O pedreiro Leandro Francisco Nascimento, 40, perdeu o Bilhete Único há alguns anos. Não pediu segunda via porque descobriu ser possível pagar a passagem direto em alguns ônibus na cidade de São Paulo com seu cartão de débito por aproximação.

"É mais fácil assim, não preciso perder tempo indo atrás do outro", afirma Nascimento, que trabalha em uma obra na região de São Mateus, na zona leste paulistana.

O uso de cartões bancários por aproximação para pagamento de passagens nos coletivos começou em um projeto-piloto em 2019.

Além do cartão físico, é usada a tecnologia NFC (comunicação sem fio). Assim, também é possível utilizar meios eletrônicos, como celulares e relógios inteligentes.

A partir daí surgiram outras duas modalidades alternativas ao Bilhete Único tradicional ou ao dinheiro, por QR Code —uma espécie de pré-pago com créditos carregados em um aplicativo— e por Bluetooth de celular (também com a necessidade de se ter um aplicativo).

A modalidade com cartão bancário é a que mais cresce anualmente. Entre janeiro e julho deste ano, foram mais de 2,2 milhões de tarifas pagas assim.

O número já é mais que o dobro de todas as 982 mil transações do tipo em todo o ano passado. Mas inferior aos 31 milhões de pagamentos com dinheiro em espécie nos sete primeiros meses de 2026.

Os três sistemas alternativos juntos somaram mais de 2,3 milhões de transações nos sete primeiros meses de 2026, apenas 0,2% de 1,1 bilhão de embarques pagos com Bilhete Único.

Métodos alternativos de pagamento Passagens pagas em ônibus da cidade de São Paulo

A SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte) e a SPTrans dizem não ser possível informar a quantidade de linhas que aceitam crédito e débito, pois os coletivos que disponibilizam essa tecnologia podem realizar diferentes trajetos dentro do mesmo lote da concessionária.

Juntas, porém, as três modalidades extras (incluindo os aplicativos com QR Code e Bluetooth) estão disponíveis em cerca de 2.500 ônibus. A frota em São Paulo tem cerca de 12 mil coletivos.

Segundo a SPTrans, as concessionárias devem identificar as formas de pagamento disponíveis no veículo com adesivos na porta dianteira.

Usuários, porém, reclamaram que essa informação poderia ser mais clara. No início do projeto-piloto, havia cartazes dentro dos veículos sobre a funcionalidade, o que não foi visto pela reportagem, em três linhas percorridas na última quarta-feira (30).

Uma dica é observar se há marcas das operadoras de cartão nos validadores —os mesmos do Bilhete Único— junto à catraca, no caso dos veículos que disponibilizam o serviço.

De três cobradores questionados pela Folha, dois ficaram na dúvida sobre a disponibilidade da forma de pagamento, apesar de elas existirem ali.

Segundo um deles, o serviço ajuda quando o passageiro não tem dinheiro na mão e não faz uso de Bilhete Único.

Esse foi o caso da produtora de eventos Maria Tereza Souza, 23. Moradora na região de Santana, na zona norte, recentemente ela só descobriu que havia esquecido a carteira em casa quando estava no interior do veículo, já em movimento. Foi salva pelo cartão virtual do celular.

"Sempre tenho algum dinheiro na bolsa, pois não sei onde será aceito o pagamento no débito", diz.

Para o especialista em transporte público Horácio Figueira, disponibilizar formas alternativas é útil para usuários eventuais, como turistas.

"É uma facilidade para quem vem de outra cidade ou usa ônibus eventualmente", diz. "Mas os que embarcam diariamente, se organizam para carregar seu cartão [Bilhete Único]", afirma.

Guilherme Nafalski, gerente de relações institucionais no Instituto Cordial, afirma que diversificar as formas de pagamento pode ser uma chance de atrair passageiros de volta ao transporte público, que tem perdido usuários para modalidades individuais de deslocamento.

"É um facilitador do uso do transporte público que pode ser visto positivamente."

Questionada sobre a disponibilidade dos serviços em todo o sistema, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que as novas modalidades de pagamento estão em fase de testes e que o projeto será ampliado gradativamente, sem citar prazo.

Rafael Calabria, pesquisador de mobilidade urbana do BRCidades, lembra que o Bilhete Único não serve apenas para pagar a passagem. Ele permite a integração —no caso dos ônibus, são até quatro viagens dentro do período de até três horas

"O cartão bancário aparece como um apêndice, porque permite pagar a passagem, mas não está integrado ao sistema tarifário, que precisa ser reformulado", afirma.

"A ideia é criar um sistema integrado em que cartão de crédito, débito, celular e smartwatch possam ser usados não apenas para pagar, mas também para ter acesso à integração do transporte [com outros ônibus e trens]" diz.

"Em vez de o passageiro ter um bilhete com um determinado saldo, ele teria uma conta vinculada a um cadastro, provavelmente com CPF, à qual estariam associadas todas as suas formas de pagamento."

A diarista Sandra Santos, 47, moradora na região de São Mateus, entretanto, usa seu cartão de débito exatamente para fugir de burocracias. "Não precisa comprar crédito, acessar internet e nada. Se tem saldo na conta, é só pagar", afirma.

No mês passado, o Metrô ampliou formas de pagamento por débito e crédito, inclusive com meios eletrônicos, para todas as catracas das linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 15-prata, administradas pela companhia estatal.

Nas linhas 4-amarela e 5-lilás, que têm gestão privada, o sistema está em fase de testes e avaliações técnicas para futura implementação, diz a concessionária Motiva.

A forma de pagamento também é disponibilizada nas linhas do trem metropolitano, tanto públicas quanto sob concessão privada.

Confirme antes de embarcar se o coletivo aceita formas alternativas ao Bilhete Único

Cartão de débito ou crédito físico

Cartão de débito ou crédito virtual

2. Compre a passagem O pagamento é feito por Pix ou cartão de débito

3. Gere o QR Code O código fica disponível na tela do celular

4. Embarque No ônibus, mostre o QR Code no leitor, localizado abaixo do validador

Bluetooth - Cittamobi

2. Compre a passagem O pagamento é feito por Pix

3. Ative o Bluetooth Deixe o Bluetooth do celular ligado

4. Embarque Abra a passagem no aplicativo e aproxime o celular do equipamento instalado no ônibus

Obs.: essas modalidades não oferecem integração tarifária do Bilhete Único com outros ônibus, metrô ou trem

Fonte: Folha Online - 05/10/2026

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