Mais de um quarto dos brasileiros ainda usa o velho carnê para fazer compras
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Mais de um quarto dos brasileiros ainda usa o velho carnê para fazer compras

Publicado em 11/06/2018 , por Gilberto Yoshinaga

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Pesquisa mostra que 26,6% dos consumidores continuam fazendo compras no crediário

Quando quer ou precisa comprar algo e não tem o dinheiro suficiente, a cozinheira Margarida Alves de Araújo, 56, não pensa duas vezes: se a loja oferece essa possibilidade, ela parcela no carnê e volta para casa com mais uma dívida.

“Sei que acabo pagando mais, mas é uma opção para poder comprar quando não tenho todo o dinheiro”, conta ela, que, quando foi abordada pela reportagem, andava com quatro carnês na bolsa.

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No momento, Margarida está com cinco crediários abertos, usados para adquirir dois celulares com internet, duas TVs e uma cama. 

“Às vezes, uso o cartão de crédito, mas acho que, com o crediário, é mais fácil não perder o controle. É hábito antigo meu.”

Margarida faz parte do universo de 26,6% de brasileiros que ainda usam o crediário, segundo pesquisa feita pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas).

Ela diz que o marido e quatro dos cinco filhos com quem mora lhe pedem que contenha os impulsos de consumo.

“Mas não é só minha culpa. Alguns dos meus filhos também usam meu nome para fazer o crediário e eu é que acabo tendo de pagar.”

A forma de pagamento não é só consumismo, mas às vezes uma necessidade.

“A TV quebrou e, para não ficar sem, por exemplo, optei pelo crediário”, diz a professora Edna Medeiros, 70, que está terminando de pagar dois carnês. Além do televisor, ela parcelou um telefone celular.

Por ter liberação menos burocrática do que muitas linhas de crédito, o carnê acaba sendo uma modalidade de compra mais recorrente entre consumidores de baixa renda, mas é preciso ter controle.

“O crediário é uma alternativa interessante, se bem usado, porque, muitas vezes, acaba dando a falsa impressão de que se leva o produto sem pagar”, afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

“É importante organizar o orçamento e só realizar a compra se for possível arcar com os compromissos financeiros.”

Fonte: Folha Online - 10/06/2018

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