Cartão Caminhoneiro será 'produto de mercado', diz presidente da BR
Publicado em 08/05/2019 , por Nicola Pamplona
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Objetivo é permitir pré-compra de diesel por caminhoneiros, que terão até 90 dias para usar o crédito, sem reajuste do período
O presidente da BR Distribuidora, Rafael Grisolia, disse nesta terça (7) que o Cartão Caminhoneiro, anunciado pela Petrobras em meio à crescente insatisfação dos transportadores no início do ano, terá que ser "um produto de mercado". Segundo ele, a empresa se prepara para anunciar em breve o novo produto.
A ideia inicial é permitir que os caminhoneiros comprem determinado volume de óleo diesel e possam abastecer em até 90 dias pelo mesmo preço pago na compra. Para o governo, o produto garante maior previsibilidade na negociação de viagens pelo país.
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"É produto de mercado, que tem competitividade implícita. Temos bastante certeza que vamos apresentar em breve uma proposta", disse Grisolia, em teleconferência com analistas para detalhar o lucro de R$ 477 milhões que a distribuidora registrou no primeiro trimestre.
O anúncio do Cartão Caminhoneiro, feito primeiro pela Petrobras e depois pelo presidente Jair Bolsonaro em suas redes sociais, gerou temores de intervenção política na gestão da estatal. O produto foi anunciado ao mesmo tempo que a periodicidade mínima de 15 dias para reajustes no preço do diesel.
Naquele momento, uma série de rumores sobre nova paralisação dos caminhoneiros levou o governo a adotar medidas como a concessão de financiamento para caminhoneiros e o fim dos radares em rodovias federais. No início de abril, após telefonema de Bolsonaro, a Petrobras suspendeu reajuste de 5,7% no preço do diesel.
Aos analistas, o presidente da BR disse nesta terça que a companhia ainda avalia como será o funcionamento do cartão. Segundo ele, desde a greve que paralisou o país por duas semanas no fim de maio de 2018, o setor de combustíveis ficou "sensível" a demandas do setor.
"Desde a greve dos caminhoneiros, todos nós brasileiros ficamos sensíveis com relação a combustíveis e nós distribuidores de combustíveis ficamos sensíveis também. Temos a obrigação de explicar aos consumidores qual o nosso papel", afirmou.
A modelagem do cartão foi uma das principais preocupações dos analistas durante a teleconferência. Grisolia, porém, evitou antecipar detalhes. Ele acredita, porém, que a solução pode ser seguida por seus concorrentes. A BR é hoje a maior distribuidora de combustíveis do país.
A Petrobras estuda reduzir sua participação na BR, o que pode ser feito por nova oferta de ações no mercado. No fim de 2017, a estatal arrecadou R$ 5 bilhões com a transferência de 18,75% do capital da subsidiária a investidores privados.
Antes de assumir a BR, Grisolia era diretor financeiro da Petrobras. Em entrevista há três semanas, ele disse que o objetivo da estatal era reduzir sua fatia a menos de 50%. Nesta terça, ele não citou números, alegando que o processo ainda está em estudo.
Mas defendeu que o controle estatal impõe amarras à BR, citando especificamente o esforço para redução de despesas de vendas, gerais e administrativas, um dos principais focos de sua gestão.
O lucro da BR no primeiro trimestre foi 93% maior do que o verificado no mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo pagamento de dívidas de distribuidoras que eram controladas pela Eletrobras, item que contribuiu com R$ 181 milhões para o resultado final.
Grisolia disse que, como todas as distribuidoras de combustíveis do país, a BR terá que avaliar as oportunidades geradas pela venda de oito refinarias da Petrobras, anunciada no fim de abril. "É claro que um distribuidor tem o dever de olhar", comentou, ao ser perguntado sobre o tema.
Fonte: Folha Online - 07/05/2019
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