Novo subsídio ao gás de cozinha não chegará aos consumidores, dizem revendedores
Publicado em 08/04/2026 , por R7
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Revendedores de GLP pedem que o governo faça de forma célere uma correção dos preços de referência
- A nova proposta de subsídio ao GLP não beneficiará os consumidores, segundo revendedores.
- A Abragás, associação de revendedores, pede correção nos preços de referência do programa Gás do Povo.
- O aumento dos custos, especialmente devido à guerra no Oriente Médio, agrava a situação do programa.
- O governo prevê um subsídio de R$ 850 por tonelada de GLP importado, mas alertas indicam que os benefícios podem não chegar aos revendedores e consumidores.
A nova iniciativa do governo federal para subsidiar GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha, importado pelo Brasil, não chegará aos consumidores e também não resolve os problemas que podem inviabilizar o programa Gás do Povo, que oferece botijões gratuitos para cerca de 50 milhões de pessoas, disse a associação de revendedores de GLP Abragás.
Os revendedores de GLP pedem que o governo faça de forma célere uma correção dos preços de referência para o pagamento do subsídio aos botijões do Gás do Povo, pois os valores estariam abaixo do necessário para remunerar as suas atividades. No programa subsidiado, o produto é entregue aos beneficiários sem custos.
O problema de defasagem do preço de referência do programa, que já era uma crítica recorrente nos últimos meses, foi agravado pelo aumento dos custos dos revendedores, principalmente pela disparada dos preços do próprio GLP e do diesel diante da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que restringiu a oferta global de petróleo e seus derivados.
O Brasil tem um histórico de subsídio ao gás de cozinha para os brasileiros mais pobres, mas o governo Lula expandiu o programa com o Gás do Povo, triplicando seu alcance para quase um quarto da população brasileira no fim de 2025.
“O governo federal parece não entender o recado das revendas, que estão pedindo reposicionamento urgente dos valores pagos às revendas pelo programa para efetuar a entrega do botijão de gás aos beneficiários, e já manifestaram o desejo de abandonar o Programa Gás do Povo”, afirmou a Abragás, que representa mais de 60 mil revendedores de GLP do país, em nota divulgada nesta terça-feira (7).
“O setor está fazendo um papel essencial para o sucesso do programa, mas, com resultados negativos, não há lógica para continuar a parceria, enquanto apenas as distribuidoras colhem os resultados financeiros.”
Para a Abragás, a subvenção proposta na segunda-feira (6) pelo governo federal para a importação de GLP “não será repassada às revendas e tampouco chegará aos consumidores como o governo espera”, pois poderá ficar represada em elos anteriores da cadeia.
A nova medida do governo prevê o pagamento de R$ 850 por tonelada de GLP importado, com dotação de R$ 330 milhões, com o objetivo de equalizar o preço do produto importado ao nacional e reduzir os efeitos da alta internacional, segundo informou em nota.
“Na prática, o subsídio pode representar cerca de 30% do valor do produto na saída das refinarias, contribuindo para preservar o acesso das famílias ao gás de cozinha”, disse o governo.
Procurado, o Ministério de Minas e Energia não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.
O Brasil não é autossuficiente na produção de GLP e importa cerca de 20% do volume consumido atualmente. A Petrobras é a principal ofertante do produto no país, mas refinarias e unidades de processamento de gás natural privadas também vendem o produto.
A Petrobras tem mantido seus preços em contratos tradicionais sem reajustes desde o fim de 2024 e, desde então, tem recorrido a leilões cada vez mais frequentes para completar a oferta, como forma de recuperar custos com a importação, segundo agentes do mercado e especialistas.
Mas o governo tentou cancelar a realização do último leilão da petroleira, em 31 de março, que negociou cerca de 70 mil toneladas de GLP, com fortes ágios, em sete polos de venda da companhia.
Em um dos polos, na Refinaria Duque de Caxias (RJ), a companhia chegou a registrar um ágio de mais de 100% na comercialização do produto, disse uma pessoa a par do leilão.
A realização do leilão acabou culminando na demissão do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, na segunda-feira, e a reguladora ANP está investigando o certame por suspeitas de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos PPIs (Preços de Paridade de Importação).
Fonte: R7 - 08/04/2026
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