CEO do Assaí alerta para bets e juros: 'Não era para estarmos nesse nível de endividamento'
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CEO do Assaí alerta para bets e juros: 'Não era para estarmos nesse nível de endividamento'

Publicado em 09/08/2026 , por Exame

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Belmiro Gomes afirma que juros altos e avanço das apostas pressionam o orçamento das famílias e já afetam o varejo, com queda no consumo entre a população de menor renda

Belmiro Gomes, CEO do Assaí: “Estou assistindo à série de terror chamada Selic” (Germano Lüders/Exame)

O Brasil vive um cenário que chama a atenção de Belmiro Gomes, CEO do Assaí: mesmo com a taxa de desemprego em patamares baixos, o nível de endividamento da população continua elevado.

Para o executivo, a combinação de juros altos por um período prolongado e o avanço das apostas esportivas ajuda a explicar a pressão sobre o orçamento das famílias, principalmente entre os brasileiros de menor renda.

“Mesmo com uma taxa de desemprego baixa, não era para nós estarmos no nível de endividamento da população”, afirma Gomes em entrevista ao De Frente com CEO, programa da EXAME.

A preocupação parte da visão privilegiada que o executivo tem sobre o consumo. O Assaí recebe aproximadamente 40 milhões de pessoas por mês em suas lojas e atende consumidores de diferentes classes sociais, além de cerca de 1 milhão de micro e pequenos empreendedores.

Na avaliação de Gomes, o endividamento das famílias de menor renda é hoje um dos principais desafios para o varejo.

“O endividamento das classes sociais mais baixas é um dos maiores desafios. Anos seguidos de juro muito elevado têm cobrado um preço”, diz.

Juros pesam mais sobre a baixa renda

Para o CEO do Assaí, a manutenção dos juros elevados tem efeitos diferentes sobre as classes sociais e pode aprofundar a desigualdade.

De um lado, Gomes afirma que está a parcela da população que possui recursos investidos e se beneficia da elevada remuneração da renda fixa. Do outro, estão milhões de brasileiros endividados que precisam pagar juros altos.

“Você tem os 80% da população altamente endividado, pagando uma das maiores taxas de juro do mundo. O que acontece no fim, quando o juro fica elevado por um tempo maior, ele começa a aumentar a desigualdade social”, afirma.

Segundo ele, o efeito dos juros já aparece de maneira clara no comportamento do consumidor.

Gomes afirma que, no quarto trimestre de 2025, formatos do varejo alimentar voltados à população de maior renda registraram crescimento nominal de 4%, enquanto aqueles mais expostos aos consumidores de baixa renda tiveram queda de 9%. A diferença chegou, portanto, a 13 pontos percentuais.

“Esse delta a gente não via há muitos anos. Então, óbvio que quando você tem o ciclo de juro elevado, você vai ter a classe mais baixa sofrendo mais, mas nessa medida ele tem sido inédito”, afirma.

E onde entram as bets?

Gomes também chama atenção para o crescimento das apostas esportivas no país.

“Quando a gente olha para os números dos dados econômicos, taxa de desemprego, uma série de outras, não era para estar com a maioria da população endividada”, afirma.

É nesse contexto que o CEO coloca as bets na discussão. Segundo Gomes, existem estudos e reportagens relacionando parte do problema ao hábito das apostas.

“Parte disso tem várias matérias, vários estudos mostrando. Tem a ver com o hábito das apostas, que acho que o brasileiro, até por gostar tanto de futebol, acaba sendo seduzido por isso e está disponível no smartphone 24 horas por dia”, diz.

Na avaliação do executivo, a combinação pode ser particularmente prejudicial para quem já está com o orçamento pressionado.

“Na medida que o juro aperta, de um lado, a pessoa tem uma expectativa com a aposta, do outro. Isso tem levado a um aumento do endividamento”, afirmou.

A relação apontada por Gomes é uma avaliação do executivo. Na entrevista, ele não apresenta um levantamento próprio do Assaí que mensure quanto do endividamento dos brasileiros pode ser atribuído às apostas.

Fonte: Exame Online - 08/08/2026

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