Endividamento recorde e juro elevado preocupam setores da economia
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Endividamento recorde e juro elevado preocupam setores da economia

Publicado em 09/08/2026 , por CNN Brasil

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Executivos relatam ao CNN Money efeitos de política monetária restritiva e inadimplência sobre resultados de companhias

O endividamento das famílias brasileiras atingiu o patamar recorde de 82% no mês de julho, segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Apesar do corte na taxa Selic para 14% na última quarta-feira (5), o Brasil ainda possui o segundo maior juro real do planeta.

O patamar restritivo do custo de crédito e o acúmulo de dívidas pressionam o bolso da população e executivos de companhias do país já começam a dimensionar os efeitos das condições macroeconômicas em seus negócios.

Varejo vê consumidor mais "seletivo"

O CEO da C&A, Paulo Correa, disse em entrevista ao CNN Money que a situação leva os consumidores da marca a avaliar cuidadosamente os gastos.

"Em um cenário macroeconômico mais desafiador, com juros altos, isso acaba pressionando o endividamento das famílias e a decisão de compra começa a ficar mais racional ainda. O vestuário está virando quase um investimento no dia a dia", afirma.

Ele também cita a necessidade de otimização e gestão do capital com o custo de crédito elevado.

"Tudo que tem a ver com uso de caixa, de alguma maneira, faz com que a taxa de juros atual fique pesada em qualquer decisão. Isso passa a ser muito importante no dia a dia, a gente acaba tendo menos flexibilidade de fazer alguns movimentos mais robustos de longo prazo", completa.

Endividamento impacta construção

O setor do varejo não é o único impactado pela Selic em um patamar elevado. O CFO da construtora Tenda, Luiz Maurício Garcia, também comentou sobre o assunto em participação no CNN Money.

Ele pondera que, apesar das taxas mais baixas do Minha Casa Minha Vida, a inadimplência da população pode adiar o sonho da casa própria de muitos.

"O juro em patamar restritivo traz uma série de impactos. Um deles tem sido o endividamento das famílias em nível recorde. Isso preocupa porque quanto mais famílias tiverem dificuldade financeira, essa família não vai poder adquirir um imóvel porque ela já comprometeu a renda dela com outros financiamentos", analisa Garcia.

O executivo ressalta que a Selic elevada traz impactos "severos" não só para empresas, mas para a população que toma empréstimos e contrai dívidas. Garcia confirma uma inadimplência de 15% a 20% dos clientes com a Tenda e menciona que o PDD (Provisão para Devedores Duvidosos) também aumentou no 2° trimestre de 2026.

O CFO explica que a companhia busca reduzir a concessão de crédito sem gerar perda de margens e rentabilidade.

Setor financeiro também quer juro menor

O Bradesco é mais uma companhia a relatar efeitos da taxa de juros restritiva ao CNN Money. O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, relata que uma trajetória crescente da Selic pressiona margens das linhas de crédito oferecidas pelos bancos.

"A taxa mais previsível e menor é melhor para os bancos, para casamento de ativos e passivos. Para a inadimplência, ela (taxa de juros alta) joga a favor da inadimplência. Todos nós somos vocais de falar que taxas menores são nosso desejo", diz.

Com a Selic ainda em patamar elevado, o último comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) deixou em aberto a possibilidade de novos cortes na reunião de setembro.

Para Arnaldo Lima, economista e líder de Relações Institucionais da Polo Capital, uma nova redução pode acontecer em caso de uma menor expansão da economia, mas com o BC (Banco Central) de olho na alta dos preços.

"A porta está aberta. Se eventualmente a gente continuar tendo essa desaceleração da atividade econômica e sobretudo da inflação, a gente vai esperar mais um corte até setembro", projeta Lima em entrevista ao CNN Money.

"O que o Banco Central vem falando é que houve uma aceleração no 1° trimestre e depois uma desaceleração. A expectativa é de que a gente tenha um crescimento do PIB em 2026 menor do que em 2025", complementa.

Fonte: CNN Brasil - 09/08/2026

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