Já posso renegociar dívidas no Desenrola 2.0? Bancos dizem que vão iniciar após ajustar operações
Publicado em 05/05/2026 , por G1
O governo publicou na noite de segunda-feira (4) a Medida Provisória que cria o novo programa de renegociação de dívidas. Pessoas com renda mensal de até R$ 8.105 poderão aderir.
Desenrola 2.0: governo lança nesta segunda novo pacote para renegociação de dívidas
Bancos consultados pelo g1 informaram que vão aderir ao Novo Desenrola Brasil, mas ainda aguardavam definições operacionais para iniciar, de fato, a renegociação de dívidas. As instituições também ajustavam seus sistemas para viabilizar a implementação.
O programa foi lançado oficialmente pelo governo federal na manhã de segunda-feira (4), com o objetivo de reduzir o endividamento das famílias e reorganizar o acesso ao crédito no país. A Medida Provisória que estabelece as regras foi publicada no fim do dia — e, com isso, já passou a valer.
Até então, os bancos procurados pelo g1 não tinham data definida para o início das operações e aguardavam o detalhamento para adaptar seus processos. O acesso ao programa será feito pelos canais oficiais das instituições financeiras, como aplicativos, sites ou agências.
Veja nesta reportagem o que disseram as instituições:
O g1 também entrou em contato com o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Nubank, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Já o Banco Inter informou estar em período de silêncio por causa de seu balanço financeiro e que, por isso, não poderia comentar.
Esta reportagem será atualizada à medida que os bancos enviarem novos posicionamentos.
A expectativa do governo é que até R$ 58 bilhões em débitos sejam renegociados, incluindo dívidas antigas e recentes.
Veja abaixo o que disseram os bancos.
"O Itaú Unibanco trabalha na implementação do Novo Desenrola e, com a publicação da Medida Provisória, disponibilizará as ofertas de renegociação aos clientes elegíveis em todos os seus canais — Superapp, WhatsApp (11 4004 1144), site (itau.com.br/renegociacao) e parceiros credenciados de renegociação.
As condições de renegociação seguem os parâmetros estabelecidos pelo programa, sendo elegíveis pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil em atraso entre 90 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos que podem chegar a 90% do valor da dívida, juros de até 1,99% ao mês e prazo de pagamento de até 48 meses."
“O Santander considera positivas iniciativas que favoreçam a saúde financeira da população brasileira e informa que irá aderir ao Desenrola 2.0. O Banco está realizando os testes necessários para iniciar a oferta do serviço aos clientes o mais brevemente possível, dentro das condições definidas pelo Governo. A Instituição coloca seus canais à disposição dos clientes para atendimento e esclarecimento de eventuais dúvidas.”
"O Bradesco informa que vai aderir à nova fase do programa de renegociação de dívidas lançado hoje pelo governo federal, o Novo Desenrola Brasil. O banco está aguardando as autorizações do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para iniciar as renegociações dentro do novo programa. Enquanto isso, clientes interessados podem realizar um pré-cadastro, mediante o preenchimento do formulário já disponível no portal https://renegocie.bradesco.com.br
Adicionalmente, o Bradesco disponibilizará um programa com condições próprias de renegociação para os clientes que não se enquadrem no programa do governo, seja por atraso menor ou maior do que o previsto ou por renda superior ao estabelecido como elegível. Com a iniciativa, o banco pretende ampliar os efeitos do processo de alívio do endividamento da população.
O Bradesco também irá habilitar os canais de atendimento telefônico e a rede de agências para oferecer suporte ao programa. Os demais clientes que não estiverem enquadrados no Desenrola 2 terão acesso a ofertas de renegociação disponíveis no mesmo portal."
BTG Pactual e Banco Pan
"O BTG Pactual e o Banco Pan informam que irão aderir ao programa Desenrola 2.0. As instituições acompanham o andamento da medida provisória publicada hoje e a regulamentação do programa, e manterão seus clientes informados sobre prazos, funcionamento e critérios de adesão assim que houver definições adicionais."
"O C6 Bank confirma que vai aderir ao programa Novo Desenrola Brasil. Assim que estiverem devidamente estabelecidas as ferramentas tecnológicas (APIs) que permitem a conexão das instituições financeiras com o FGTS e o FGO, o C6 Bank oferecerá ao cliente a possibilidade de renegociação de dívida por meio do programa.
Os requisitos para aderir ao Novo Desenrola são os determinados pelo governo – a pessoa precisa ter renda de até 5 salários-mínimos (R$ 8.105) e dívidas, contratadas até 31 de janeiro de 2026, atrasadas entre 90 dias e 2 anos com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
O cliente que desejar renegociar dívidas e se enquadrar nessa faixa poderá procurar o banco nos canais oficiais de atendimento: no app ou no telefone (3003-6116 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-660-6116 para demais localidades)."
Veja abaixo os principais pontos do programa
Quem pode participar
Poderão participar do Desenrola Famílias todos os brasileiros endividados e que tenham renda máxima de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105).
Além disso, estudantes que tenham dívidas em atraso há mais de 90 dias também poderão renegociar débitos por meio do Desenrola Fies.
Micro e pequenas empresas e agricultores familiares também terão acesso ao novo programa.
Quais são as frentes do programa
O Desenrola 2.0 reúne diferentes iniciativas, cada uma voltada a um público específico. Entre elas estão:
- Desenrola Famílias
- Desenrola Fies
- Desenrola Empresas
- Desenrola Rural
Além disso, o pacote inclui mudanças nas regras do crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos.
Quais dívidas entram na renegociação
O programa abrange dívidas:
- Contratadas até 31 de janeiro de 2026;
- Com atraso entre 90 dias e dois anos;
- Relacionadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Quais são as condições oferecidas
O programa prevê uma combinação de descontos, prazos alongados e juros limitados para facilitar a renegociação de dívidas. Na prática, a proposta tenta equilibrar duas frentes: reduzir o valor devido e tornar o pagamento possível dentro da renda do consumidor.
As principais condições são:
- Descontos entre 30% e 90%sobre o valor da dívida;
- Parcelamento em até 48 meses;
- Prazo de até 35 diaspara começar a pagar;
- A nova dívida renegociada não pode ultrapassar R$ 15 mil por CPF, por instituição financeira, já considerando os descontos aplicados;
- Juros de até 1,99% ao mês.
FGTS na renegociação
Os trabalhadores poderão usar 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1.000 — o que for maior.
O uso será permitido apenas após a renegociação, para garantir a aplicação dos descontos.
Pessoas com dívidas de até R$ 100 terão o nome retirado automaticamente dos cadastros de inadimplência. Quem renegociar também terá o nome limpo após o acordo.
O programa também prevê o bloqueio do CPF do beneficiário em plataformas de apostas por 12 meses, como forma de reduzir o risco de novo endividamento.
TIRE TODAS AS SUAS DÚVIDAS:
Fonte: G1 - 05/05/2026
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