Fim da taxa das blusinhas anima consumidores, mas alta do dólar vira novo desafio
Publicado em 18/05/2026 , por R7
Governo sancionou MP que extingue o imposto, porém tensões políticas têm causado movimentações incertas na moeda estrangeira
- Governo sancionou MP que extingue a ‘taxa das blusinhas’, reduzindo impostos para compras internacionais de até US$ 50.
- Volatilidade do dólar gera incertezas após oscilações significativas, impactando o custo das compras.
- Especialistas alertam sobre o risco de compras online, destacando que a redução de impostos não garante bons negócios frente à alta do dólar.
- Consumidores devem considerar todos os custos envolvidos e evitar compras por impulso, mesmo com a isenção tributária.
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Na última semana, o governo federal sancionou a MP (Medida Provisória) que zerou a alíquota federal de 20% para compras internacionais de até US$ 50, a famosa ‘taxa das blusinhas’. No entanto, para quem busca renovar o guarda-roupa em plataformas “fast fashion”, a comemoração ganhou um novo obstáculo.
Agora, o desafio não é mais lidar com a Receita Federal, mas sim monitorar a montanha-russa do dólar, que tem sofrido oscilações consideráveis.
Após uma sequência de baixas que levou a moeda a R$ 4,91 no dia 8 de maio, o dólar voltou a subir desde terça-feira (12) e apresentou mudança ainda maior após o mercado as incertezas no cenário eleitoral causadas pela situação envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“O mercado cambial no Brasil é muito sensível a boatos e fatos. Adicionalmente, há sérias preocupações com relação aos mercados financeiros e de capitais mundiais, principalmente dos EUA e da Europa”, aponta o economista Newton Marques.
Vale a pena comprar as ‘blusinhas’?
Marques explica que, com a queda de preço das ações de empresas brasileiras em meio ao cenário político incerto, a entrada de dólares no Brasil é impulsionada, diminuindo a taxa de câmbio. Para Newton, mesmo em meio a um cenário incerto, o cálculo para saber se ainda compensa ir às compras online é bastante simples:
“Se considerarmos que houve uma redução de impostos (basicamente os federais) de 20%, esse é o teto. Ou seja, o dólar pode subir até 20%, em cálculo um pouco grotesco, que ainda seria vantajoso para o consumidor comprar as ‘blusinhas’”, ressalta.
Já Maurício Nakahodo, professor de Economia da Faculdade ESEG, analisa que a zeragem a princípio melhora o preço relativo das compras internacionais de até US$ 50, mas que isso não significa automaticamente que este seja um “ótimo momento” para comprar no exterior.
“Embora possa ser um momento melhor do que antes do ponto de vista tributário, não necessariamente é um bom momento do ponto de vista financeiro”, acredita.
Dicas na hora de comprar
Nakahodo analisa que a volatilidade cambial sempre adiciona um elemento de risco ou incerteza no valor final da compra em reais.
“Para quem vai comprar com cartão de crédito, tudo depende em muito da taxa de câmbio vigente na data de fatura do cartão, o que sempre representa um risco para os consumidores caso o real se desvalorize ainda mais”, pontua.
Ele explica que, quando o consumidor lê “taxa zerada”, tende a ancorar sua decisão nessa informação positiva e pode subestimar outros custos, mas que, na verdade, o que importa é o produto, frete, câmbio, ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), eventual taxa administrativa, prazo de entrega, risco de devolução e possibilidade de o preço no Brasil estar competitivo.
Nakahodo complementa, dando dicas práticas para quem planeja comprar nos sites que agora estão isentos das taxas. Veja:
- Comparar sempre o preço final em reais: some produto, frete, impostos e possível variação cambial. Não compare apenas o preço anunciado em dólar.
- Cuidado ao usar cartão de crédito: A compra pode ser convertida por uma cotação diferente da imaginada, dependendo da data de processamento ou fechamento. Uma alta adicional do dólar pode encarecer a fatura.
- Verificar se ainda há ICMS: A zeragem tratada recentemente se refere ao imposto federal sobre compras até US$ 50, mas isso não elimina necessariamente toda a carga tributária da operação. E a alíquota do ICMS varia para cada estado.
- Avaliar garantia, troca e devolução: um produto barato pode sair caro se vier com defeito, se a devolução for difícil ou se não houver assistência no Brasil.
- Comparar custo e benefício em relação a produto similar fabricado no Brasil: relacionado ao item anterior, vale a pena comparar não só o valor equivalente em reais do produto importado com o produto nacional, mas também os riscos relacionados a produtos que não chegam em perfeito estado.
Por fim, ele orienta sempre manter consciência para evitar compras por impulso.
“Do ponto de vista de economia comportamental, a frase ‘a taxa acabou’ cria senso de oportunidade para as pessoas, mas oportunidade real é quando o produto é efetivamente necessário ou importante para as pessoas, cabe no orçamento atual, não compromete a renda futura via endividamento, e o preço final é vantajoso”, finaliza.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Joana Pae, editora de texto.
MP (Medida provisória)
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Fonte: R7 - 18/05/2026
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