Três em cada dez jovens da geração Z já pediram afastamento por saúde mental, diz pesquisa
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Três em cada dez jovens da geração Z já pediram afastamento por saúde mental, diz pesquisa

Publicado em 19/05/2026 , por Folha Online

Três em cada dez jovens da geração Z (entre 18 e 28 anos) já pediram afastamento do trabalho por questões de saúde mental, segundo pesquisa da Serasa Experian. O levantamento mostra ainda que 6 em cada 10 afirmam que as empresas falam de saúde mental, mas adotam práticas consideradas incompatíveis com esse discurso.

Os afastamentos estariam ligados a fatores como pressão no trabalho, jornadas prolongadas e insegurança em relação ao futuro profissional. A pesquisa também mostra que a geração Z valoriza modelos mais flexíveis de trabalho e iniciativas voltadas ao bem-estar no ambiente corporativo. Segundo a pesquisa, apenas 28% dizem se sentir confortáveis para tratar do tema no ambiente de trabalho.

O estudo ouviu 233 brasileiros entre 18 e 28 anos, em todas as regiões do país, entre novembro e dezembro de 2025. A margem de erro da pesquisa é de 3%, e o intervalo de confiança, de 97%.

Um exemplo desse grupo é a estudante Daniela Cristina Lucena, 19, que trabalhava como atendente de call center, e pediu demissão no terceiro mês. "Era um ambiente com vários transtornos e clima pesado. Cheguei a pedir um tempo, fui ao médico, enviei o atestado e, na hora de receber meu salário, eles ainda descontaram esse dia", disse.

Segundo Fernanda Guglielmi, psicóloga e gerente de recursos humanos do Serasa, "os fatores se acumulam ao longo do tempo e ajudam a explicar o aumento dos afastamentos observado nos últimos anos".

Para Rodrigo Dib, CEO do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), empresas ainda têm dificuldade de adaptar modelos de gestão às expectativas da geração Z, que valoriza flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

"Vemos altos índices de ansiedade e de uma pressão exacerbada em cima da Geração Z. Pressionar demais acaba virando só entregar trabalho", afirma.

De acordo com Dib, as empresas tendem a tratar colaboradores de forma coletiva e esquecem que cada geração tem sua particularidade.

"A geração Z está 24 horas por dia sendo estimulada a um outro tipo de vida. Assiste televisão, escolhe o momento que vê as coisas, pede comida. Não divide mais o que é trabalho e vida pessoal. O mercado tem que entender isso. E tratar essa geração do jeito que ela é, porque quem mais está sofrendo por isso é o próprio mercado", diz.

O aumento no número de ações trabalhistas associadas a saúde mental, bem como o número de afastamentos previdenciários pelas mesmas razões exigiram a atualização da Norma Regulamentadora número 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho e Emprego, explica a advogada Isabella Magano.

A norma, que estabelece regras para o gerenciamento de riscos no trabalho e medidas de prevenção a serem adotadas por empregadores, passou a exigir que o Programa de Gerenciamento de Riscos inclua os chamados riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

Na prática, a nova redação da NR-1 prevê medidas como programas de saúde mental, canais de denúncia, revisão de metas de desempenho, controle de jornada para evitar excessos e iniciativas voltadas ao bem-estar dos funcionários.

Embora já esteja em vigor, as multas relativas à nova redação da NR-1 ainda não estão sendo aplicadas. Elas foram adiadas pelo MTE e, caso não haja novo adiamento, devem passar a valer na próxima terça-feira (26).

Outra possível mudança na legislação —o fim da da escala 6x1, jornada de trabalho de seis dias com apenas um de descanso— também entra no debate sobre saúde mental dos trabalhadores.

Porém, para Ricardo Dib, o tema é tratado de uma forma simplista. "Acabar com a escala 6x1 no aspecto do tempo é ótimo. Mas não adianta ter escala 5x2 ou outras escalas se o modelo de trabalho continua exigindo da pessoa de uma forma não saudável. Uma menor carga ajuda, mas não quer dizer necessariamente uma melhoria na saúde mental".

Segundo Dib, discutir carga horária é necessário, mas também é preciso colocar outros elementos no debate.

"Nessa geração, a relação com o tempo é diferente. Eu defendo o modelo de flexibilidade, em que seja menos importante o tempo presente e mais importante o qualitativo, o bem-estar e a entrega desse jovem. Até porque a próxima geração [nascidos a partir de 2010], que é a alfa, vai ser ainda mais nativa".

Fonte: Folha Online - 19/05/2026

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